quarta-feira, 29 de maio de 2013

A sala de jantar ou casas de bonecas


Pronta para receber quatros convidados com toda a pompa e circunstância e decorada num estilo muito inglês, a sala de jantar aqui fotografada não é a da minha casa, nem a do Manel tão pouco. Trata-se de uma das divisões da casa de bonecas da minha filha Carminho.

Desde que há cerca de uns 14 anos estive em Inglaterra e visitei a célebre casa de bonecas da Rainha Mary, exposta no Castelo de Windsor, fiquei completamente fascinado com este brinquedo de meninas.

Casa de Bonecas da Rainha Mary, construída entre 1920 e 1924. Castelo de Windsor

Independentemente da idade, todos nós nos sentimos atraídos pelas miniaturas, sejam elas cidades de brincar, carrinhos, casas de bonecas ou até mesmo bonsais. São como se fossem um mundo a uma escala reduzida que nós podemos dominar e manipular com as nossas próprias mãos.

Casa de bonecas de Petronella Oortman. https://www.rijksmuseum.nl
Aliás as primeiras casas de bonecas que apareceram na Europa, primeiro no Século XVI na Alemanha e depois na Holanda no Século XVII não eram brinquedos de crianças. As meninas não estavam autorizadas de todo a mexer nas cadeiras à escala, nem no restante mobiliário, que reproduzia com todo o rigor as obras dos melhores marceneiros e ebanistas da época. O Rijksmuseum de Amesterdão possuiu três destas casas fabulosas, que pertenceram a senhoras adultas da grande burguesia holandesa e eram uma espécie de gabinetes de curiosidades, uns museus privados, exclusivamente femininos.
Casa de bonecas de Petronella Dunois, ca. 1676. https://www.rijksmuseum.nl/
Essas senhoras encomendavam pinturas, mobiliário segundo à moda da época, papéis de parede, serviços inteiros de porcelana chinesa, quadros, bonecas e montavam pequenos palácios, com salões de baile, salas de músicas, aposentos senhoriais, cozinhas e quartos para a criadagem e tudo à mesma escala. Uma destas grandes damas, Petronella Oortman chegou ao ponto de contratar um pintor famoso para imortalizar a sua casa de bonecas num retrato a óleo. Aliás, diz-se que o que gastou na sua casa de bonecas daria para comprar uma casa em ponto grande na melhor rua de Amesterdão. 
Quadro encomendado por Petronella Oortman, representando a sua casa de bonecas. https://www.rijksmuseum.nl
Só já no século XIX, é que os fabricantes começaram a executar casinhas de bonecas destinadas a crianças. O objectivo era educar as meninas no governo da casa. 

Hoje em dia claro, com a produção em massa estes brinquedos estão mais difundidos, mas mesmo assim muitas destas casinhas destinadas às meninas, continuam a ser coleccionadas por senhoras e senhores que já há muito passaram a infância. Como talvez eu faça parte deste último grupo, quando a minha filha tinha uns quatro ou cinco anos, não resisti à tentação e comprei-lhe no Natal uma casa de bonecas. 
Na sala de jantar da casa de bonecas da Carminho há uma baixela completa
A construção da casa foi uma verdadeira epopeia. Na noite de Natal deitei-me às 4 e tal da manha para a conseguir erguer. Umas semanas depois, passei um fim-de-semana inteiro fechado em casa, a montar as divisões, aplicar o papel de parede, o soalho e a instalação eléctrica da casinha. Ao longo destes anos, fui oferecendo aos poucos o recheio da casa à minha filha. Alguns dos móveis, estofei-os eu com restos de gravatas comprados nos chineses, outros vieram de Paris e a maioria veio do Hospital das Bonecas, aqui em Lisboa.

Todas as divisões tem luz na casa de bonecas da minha filha
Enfim, construi um pequeno mundo, dentro da minha casa, cujo tamanho pouco maior é que o de uma casa de bonecas.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Uma peça neogótica


Já há uns tempos o Manel comprou um candeeiro em bronze, neogótico, muito bonito, mas que suspeitou de imediato que já tinha sido electrificado posteriormente. Confirmei esta impressão do Manel, quando encontrei uma peça praticamente igual, no seu estado original, ao desfolhar por acaso a obra sobre pintura e artes decorativas Le XIXe siècle français: Paris. Hachette, 1957. Na realidade, o que é hoje um candeeiro foi no passado um castiçal, a que alguém, num período já muito posterior, retirou a parte de cima, com o intuito de o electrificar.

Como seria originalmente o candeeiro comprado pelo Manel

É um objecto muito curioso com uma decoração arquitectural gótica e segundo a obra Le XIXe siècle français, uma publicação da prestigiada revista Conaissance des arts, terá sido executado em França, por volta de 1830 e traduz o início de uma moda que dominou todo o século XIX.


Com efeito, em França, a seguir à queda de Napoleão, houve uma certa necessidade de procurar decorações que fugissem ao rígido estilo imperial e quando a monarquia é restaurada começam a aparecer logo depois de 1815 os móveis ditos de decoração gótica, com por exemplo, cadeiras com o espaldar em forma de arcos ogivais. Claro, estas peças tinham uma relação muito vaga com a Idade Média, pois como toda a gente sabe nessa recuada época usava-se muito pouco mobiliário. O rei teria direito a uma cadeira com espaldar, mas todos os outros sentar-se-iam nuns toscos bancos corridos ou mesmo no chão como era hábito em Portugal e Espanha e usariam umas arcas para evitar que os ratos comessem as roupas e pouco mais do que isso.

A decoração gótica idealizada para a coroação de Carlos X em França fez furor
Mas neste primeiro quartel do século XIX, esse rigor histórico não era muito importante nas artes decorativas e o gótico tornou-se uma verdadeira moda, quando em 1824, Jacques Ignace Hittorff realizou uma decoração gótica para a coroação de Carlos X, em França. A partir dessa data e ao longo de todo o século XIX, o gótico nunca mais deixou de estar na moda no continente europeu. Nos interiores reproduziam-se apainelados de castelos medievais ou vitrais de abadias góticas e na arquitectura levantaram-se moradias e palacetes, que imitavam o Chambord em França ou o Windsor no Reino Unido.

Uma moradia neogótica. Foto de http://www.photo.rmn.fr
Na Alemanha, o rei Luís II da Bavieta levantou em 1869 uma das maiores excentricidades arquitectónicas de sempre o castelo de Neuschwanstein, uma espécie de cenário de uma ópera de Wagner. Em Portugal esta moda medieval teve uma expressão muito significativa na arquitectura com o chamado estilo neomanuelino, cujos exemplares mais conhecidos são a Estação do Rossio ou o Palácio do Buçaco. 

Real Gabinete Português de Leitura - Rio de Janeiro

Mas construíram-me muitos mais edifícios públicos e privados neste estilo por Portugal fora e não só. No Brasil, o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, o maior e mais prestigiado centro cultural português no mundo, foi erguido ao gosto neo-manuelino.
Strawberry Hill, Twickenham. Residência do Duque d'Aumale durante o seu exílio. Foto de http://www.photo.rmn.fr
Mas o neogótico não foi só um capricho da moda. Correspondeu a uma tendência da cultura mais profunda do Século XIX. Na Idade Média formaram-se as modernas nações europeias e num período de nacionalismo exacerbado, a História surgiu como disciplina autónoma, que procurava nesse período justificar as aspirações independentistas de povos dominados como a Hungria ou a Croácia, os desejos de unificação dos alemães, ou a soberania portuguesa que parecia tão ameaçada no Século XIX. Também na literatura, o romance histórico apareceu nesta época e tomou a Idade Média como seu tema principal. O gosto pelo período medieval levou também à valorização das catedrais românicas e góticas como obras de arte (até aí só as ruínas da antiguidade greco-romanas eram apreciadas), que começaram pela primeira vez a serem protegidas por Lei e a serem restauradas. Em 1846, o arquitecto Viollet-le-Duc foi pioneiro no trabalho de restauro, que dirigiu na igreja Notre-Dame de Paris.

 
 
Este candeeiro neogótico, que foi no passado um castiçal, evoca o início de uma tendência na cultura, na história, na literatura e nas artes, em que a Idade Média deixou de ser considerada um época de barbárie e passou a ser valorizada, estudada e admirada pelos europeus.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Alguns pensamentos sobre uma ruína em Monforte


As ruínas exercem sempre uma grande atracção nas pessoas que gostam da história e das artes. Se por um lado ficamos chocados e escandalizados com o abandono de um edifício antigo, a ruína em si mesma é atraente, fascinante, por vezes mais do que se o edifício estivesse em bom estado. Enfim, toda a gente conhece o Convento do Carmo em Lisboa e sabe que a sua especial poesia reside no facto de ser precisamente uma ruína. 
 
 
As ruínas despertam-nos sentimentos intensos. Ao entrarmos numa casa já sem telhado imaginamos quem viveu ali, os risos das crianças que morreram há muito, como ela era antes de ruir, mas também sonhamos reconstrui-la, decorando-a com os nossos objectos preferidos, as nossas estampas, móveis e loiças. A ruína é sempre uma experiência sentimental e também por essa razão se fizeram tantas falsas ruínas nos jardins europeus dos finais do XVIII e ao longo do Século XIX. A meditação suscitada pelos destroços de um templo clássico no jardim da sua própria casa era o supremo luxo da aristocracia e da grande burguesia nesses séculos.


Como não tenho nem terrenos nem dinheiro para erguer falsas ruínas, gosto de entrar em casas abandonadas, como esta em Monforte e sentir ainda a presença do Islão, ou quando vejo o Manel franquear o arco ogival do pátio interior, visualizar num repente uma Idade Média, onde as pessoas eram muito mais baixas que nós. Nestes espaços tristes arruinados, dou comigo a imaginar reconstruir aquela casa, expor as minhas faianças no armário embutido na parede, plantar uma glicínia no pátio e recomeçar uma vida inteiramente nova.

sábado, 11 de maio de 2013

Relicário Ostensório ou o culto dos objectos


Como sinto uma atracção irresistível por tudo aquilo que o Manel designa por beatices, quando vi esta peça em madeira folheada a ouro, num impulso comprei-a e voltei com ela para casa todo contente.


Depois, limpei-a com um algodão embebido em água do Luso e comecei a reparar, que para além da medalha em cera com o Agnus Dei, havia mais qualquer coisa nela, um pedacinho de tecido, bordado a fio de ouro e contendo palavras. Mas, como alguns dos fios estavam soltos e caiam parcialmente sobre o texto, não conseguia ler o que lá estava escrito. Além disso, o vidro estava muito sujo por dentro, o que não ajudava nada à leitura. Não me atrevi a retirar o vidro com medo de danificar a peça e esperei pela vinda do Manel, que se esquece logo de todos os cansaços e maleitas deste mundo, quando tem um destes trabalhos de minúcia pela frente. De facto, quando o Manel foi a minha casa conseguiu com muito jeito tirar o vidro, depois limpou o medalhão de cera e pôs no lugar os fios soltos no pedacinho de tecido. 
Vestimenta de N. SS. mo Pe S. D.os

Depois destes trabalhos feitos, confirmei que o pequeno registo em pano, tinha bordadas umas palavras, que formavam a frase Vestimenta de N. SS. mo Pe S. D.os. Desenvolvendo estas abreviaturas todas, que são tradicionais em Portugal, o texto seria qualquer coisa como Vestimenta de Nosso Santissimo Padre S. Domingos. Porém, o título Santíssimo Padre é uma expressão reservada ao Papa e portanto o desenvolvimento da última abreviatura deveria ser antes S. Dâmaso, um santo natural do território que é hoje Portugal e que ocupou o trono de S. Pedro entre 366 e 384 e que foi sepultado em Roma, numa igreja que tem o seu nome. 

Portanto, o registo continha uma relíquia, um pedacinho de uma veste de S. Dâmaso.
No topo, uns fragmentos de madeira, certamente uma relíquia do Santo Lenho

Nestes trabalhos de limpeza, o Manel e eu reparámos também nuns fragmentos de madeira, formando uma cruz e pelo contexto percebemos que se tratava também de outra relíquia, certamente um pedacinho do Santo Lenho, isto da cruz onde foi martirizado Jesus Cristo.

Também resultante da limpeza, consegui ler algumas inscrições do medalhão de cera, nomeadamente o nome do Sumo Pontífice, que abençoou a medalha, o Papa Bento XIV, cujo pontificado decorreu entre 1745 e 1758. Portanto, esta medalha de cera feita com os restos das velas das igrejas romanas, benzida pelo Papa e à qual se atribuíam poderes de protecção especiais contra doenças, tempestades e outras desgraças foi executada entre 1745 e 1758.
Medalha de cera benzida pelo Papa Bento XIV entre 1745 e 1758

Conclui assim que este meu objecto dourado é na verdade um relicário, mandado fazer por alguém, para colocar as suas 3 relíquias mais preciosas, um santo lenho, uma medalha com o Agnus Dei benzida pelo Papa e os restos de uma veste de S. Dâmaso. Esta tipologia de relicário é comum em Portugal ao longo dos séculos XVII e XVIII e designa-se por relicário Ostensório, pois a sua forma reproduz a de uma custódia. Encontrei vários exemplares no matriz.net, pertencentes a vários museus portugueses.

Relicário Ostensório de Sta. Francisca Romana do Museu de Grão Vasco
O meu Ostensório relicário será talvez uma coisa do século XVIII ou mesmo XIX. Claro, a autenticidade das relíquias, nem as vou discutir. Duvido muito que um tecido do século IV chegasse aos nossos dias e quanto às lascas de madeira terem pertencido ao Santo Lenho, só me recordo do célebre comentário de Erasmo de Roterdão, que afirmava que todos os verdadeiros pedaços da Santa Cruz existentes na Europa dariam para construir um navio. 

Mas a crença nas relíquias e nos seus poderes era muito forte e muito enraizada na mentalidade dos católicos. Começou logo nos primeiros tempos do Cristianismo, quando as pessoas queriam ser sepultadas ao lado dos mártires das perseguições religiosas do Séc. III, pois acreditavam que estes seriam os primeiros a levantar-se no momento da Ressureição e por conseguinte, por um fenómeno de proximidade, aproveitariam a boleia dos santos mártires até ao paraíso. Este fenómeno em que se acredita que os poderes dos santos estão ainda presentes nos seus restos (reliquiae, quer dizer em latim restos) vai crescendo com tanta intensidade, que se começam a levantar igrejas em cima das sepulturas dos santos e os seus despojos mortais são enterrados sob o altar. Mais os restos dos mártires começam a ser retalhados e a serem cedidos para fundarem outras igrejas sob a invocação desses mesmos santos. Por exemplo, o nosso Rei D. Manuel, quando fundou a igreja de S. Roque em Lisboa pediu uma relíquia do referido Santo à Senhoria de Veneza, em Itália. Era a relíquia que dava força e santidade a uma igreja. De tal forma, que por vezes na memória popular, se confundiu a transladação de uma relíquia, com a própria presença do santo num território, onde este nunca havia postos os pés na sua vida terrena.

Altar das Relíquias do Museu de S. Roque
Este gosto pelas relíquias foi sempre crescendo de intensidade por toda a Europa. Pedacinhos de tecido, dentes, unhas, tíbias, fragmentos de crânio, uma sandália ou um fio de cabelo são venerados, cobiçados e guardados em caixas feitas em ouro, prata e tartaruga e decorados com pedras preciosas. Filipe II de Espanha constitui no Escorial uma das maiores colecções de sempre desses estranhos objectos, cujo número total chegaria às 7 mil unidades. Em Portugal, a igreja de S. Roque em Lisboa guarda também uma colecção absolutamente preciosa de relicários, que toda a gente deve visitar, mesmo que não se tenha fé de qualquer espécie, pois são verdadeiras obras de arte de ourivesaria, talha e escultura.

Hoje, todo este hábito de guardar e venerar, unhas, cabelos, falanges e dentes de autenticidade duvidosa parece-nos ridículo e macabro. Mas estas sociedades que veneraram as relíquias eram afectadas por taxas de mortalidade infantis altíssimas, epidemias terríveis e guerras constantes. Esses homens morriam de uma simples gripe e o parto para muitíssimas mulheres era uma fatalidade inevitável. A relíquia correspondia a uma necessidade desses seres humanos de acreditarem, que podiam dominar de alguma forma um destino demasiado incerto e uma realidade ameaçadora.


E afinal quem os pode levar a mal por venerarem um fragmento da túnica de S. Dâmaso, se hoje há quem pague preços astronómicos por uns óculos que pertenceram ao Elvis Presley ou se extasie perante um brinco, que a Madonna perdeu num espectáculo. Talvez muitos de nós ainda acreditemos, que o espírito das pessoas se passe para os objectos e talvez seja também por essa razão que sou um coleccionador de velharias e memórias.

Alguma Bibliografia:

Esplendor e devoção : os relicários de S. Roque. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia, [1998]

Relíquias e relicários / Leonor D'Orey, Nuno Vassallo e Silva. Lisboa: MNAA, 1996

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Une starlette


Não é uma jarra nem muito antiga nem muito boa É uma coisa simples, decorada com umas faixas azuis no meio e nas extremidades. Será talvez uma peça dos finais do XIX ou até princípios do XX, destinada a enfeitar o altar dalguma capela de província ou o oratório de uma casa particular nem muito rica nem muito pobre.

A faiança malegueira no MNAA
No entanto tem um formato em balaústre, que foi usado pelos oleiros durante centenas de anos e uma simplicidade, que a aproxima da faiança malegueira, essa loiça despretensiosa fabricada para uso dos conventos e outras casas religiosas desde o século XVI até ao século XIX. O Museu Nacional de Arte Antiga possui uma belíssima colecção dessa faiança branca. Aliás, na minha opinião pessoal, a vitrina da loiça malegueira é a exposição mais dramática e mais bem conseguida de toda a secção de cerâmica do Museu. Sempre que lá vou não deixo de me extasiar com esta loiça, cujo nome deriva da cidade espanhola de Málaga, pois os primeiros oleiros a fabricar faiança em Portugal eram oriundos daquela cidade da Andaluzia.

 Mas esta minha jarra comprada baratinha na Feira de Estremoz não tem o valor da louça malegueira e nem sequer uma marca que a possa dignificar, como Miragaia, Massarelos ou o Rato. Esta jarrinha é como aquelas medíocres aspirantes a actrizes do Festival de Cannes, que os franceses designam por Starlettes. Contudo, como todas as Starlettes é fotogénica e fica lindamente perante as câmaras, sobretudo se tiver azulejos ou talha dourada como cenário.