quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cremes de beleza Thaber ou o culto dos mortos


Antigamente as pessoas homenageavam os mortos, visitando regularmente os cemitérios, depositando flores nas campas, rezando pelas almas dos que estavam no céu ou pagando a um padre para rezar missas. Hoje, já não temos crença em nada e os nossos mortos estão enterrados longe, nas aldeias de onde partimos ou em cemitérios impessoais nas grandes cidades.

No entanto, dentro de nós, permanece a necessidade inconsciente de homenagear os mortos e talvez a forma moderna de continuar a prestar esse culto ancestral aos que já partiram seja através da estima aos objectos, que eles nos deixaram em herança, ou através das fotografias antigas com as quais podemos povoar as nossas casas.

Toda esta reflexão um pouco macabra, vem a propósito de um boião em faiança do creme de beleza nº 2 da Thaber, que a minha avó paterna, Maria do Espírito Santo Montalvão Cunha me deu ainda em vida. Na altura, a minha avó, ou a Mimi como nós os netos lhe chamávamos, ter-me á dito que era um creme em voga na juventude dela e por consequência é provável que date de antes da guerra. Com efeito, a partir de 1945 o plástico invadiu a Europa a partir dos Estados Unidos e todos estes produtos de cosmética passaram a ser vendidos nesse material novo. Mas, em todo o caso não tenho a certeza sobre a época exacta em que foi a embalagem fabricada.



A Mimi em 1930, em Cabo Verde


Esta pequena embalagem não é uma peça de grande qualidade, mas quando olho para ela gosto de imaginar a Mimi ainda jovem, sempre elegante a tratar da sua pele com o creme que alguém lhe trouxera Lisboa e as fotografias dela, dessa época ganham vida e brilho.

A minha avó morreu, mas não sei qual foi o destino da Thaber. Nos anos 50, 60 e princípios dos 70, a Thaber ainda estava activa e mandava publicar muitos anúncios na imprensa dita feminina usando as estrelas da época, como a Amália Rodriges ou a Irene Cruz. As suas instalações eram aqui em Lisboa, na Rua António Serpa, 17-19


A Mimi fotografada como se fosse uma estrela de cinema

Mais sobre este assunto...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Portal do Convento da Encarnação em Lisboa


Esta ilustração de Roque Gameiro faz parte do meu imaginário de criança. Aparecia reproduzida numa edição do ínicio dos anos 70 da história de Portugal, do Oliveira Marques, que os meus pais tinham em casa e que eu consultei e desfolhei vezes sem conta durante minha infância e juventude.

A imagem sempre me impressionou pelo contraste entre o esplendor da arquitectura e a miséria humana. Apesar de datada dos finais do século XIX, permanece actual. No centro histórico de Lisboa, à porta das igrejas, dos prédios pombalinos ou pelas ruas de Alfama, Pena ou Mouraria, persiste a miséria, o abandono e sujidade em vivo contraste com o enorme interesse histórico ou artístico da arquitectura.

Esta ilustração tornou-se pois um símbolo do esplendor e miséria de Lisboa, que me acompanhou sempre e que tentei identificar a localização várias vezes sem sucesso, sobretudo nos anos em que vivi em S. Vicente, logo ali às portas de Alfama e espiolhava todas as ruas e ruelas, desde o Largo do Chafariz de Dentro, até ao Martim Moniz, passando pelo Castelo. Cheguei a pensar que o portal fizesse parte de algum velho convento, entretanto demolido e portanto perdido para sempre.

Muitos anos, depois a seguir ao meu divórcio, recomecei a viver no centro histórico e no primeiro passeio de reconhecimento, que fiz pela zona, descobri numa praça isolada, servida apenas por umas ruas muitos estreitas, um convento magnifico e o portal, cuja imagem tinha acompanhado toda a minha infância e juventude. Tratava-se afinal da entrada nascente do velho convento da Encarnação na freguesia da Pena, que deve ser dos sítios menos conhecidos de Lisboa. Fica num bairro desconhecido de todos, numa praça servida por umas vielas muito estreitas, que ninguém se lembra de por aí enveredar e a direcção do recolhimento praticamente não deixa visitar o espaço, que é dos mais ricos de Lisboa. Apenas deixam visitar a igreja, aos Domingos, às 9 horas, quando há uma missa aberta a todos, norma, que à partida, exclui a maioria dos amantes das belas-artes e dos apreciadores de Domingos sem chatices.

A massa do Convento da Encarnação vista do Rossio


O Convento da Encarnação deve-se à vontade da Infanta D. Maria, filha do Rei D. Manuel I, mas só foi construído já no tempo de Filipe II, que o entregou à ordem Militar de S. Bento de Aviz, embora sob dependência da Coroa. O edifício foi erguido aproveitando a muralha fernadina e abrigava não só Freiras provenientes de famílias fidalgas, como recolhidas, isto é, viúvas de militares ou senhoras cujos maridos andavam na guerra ao serviço de El-Rei. O Convento foi como todos os edifícios afectado pelo terramoto de 1755, mas permaneceu de pé. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a parte conventual desapareceu, mas manteve até aos dias de hoje as funções de recolhimento de senhoras e talvez por essa razão mantenham a casa tão fechada aos olhares dos curiosos.

Quase desde a fundação do Convento, existe no Convento uma irmandade de senhoras das melhores famílias lisboetas, as Escravas, que ainda hoje subsiste. Essas damas todos os anos realizam uma cerimónia anual e é um gosto vê-las chegar ao largo da Encarnação, vestidas de Chanel, em preto, cinza e branco, com colares de pérolas genuínas, muito bem penteadas, numa elegância contida, já rara nos dias de hoje. Toda a população do bairro, que é uma mistura da velha Lisboa popular, com paquistaneses, brasileiros, chineses e ciganos romenos fica boquiaberta a olhar para aquelas senhoras muito distinguées, em cortejo à entrada da Igreja. É outra vez o contraste entre o luxo e a sordidez. Durante a cerimónia, as senhoras usam a capa da Ordem de Aviz e levam as condecorações do pai ou marido, mantendo as patentes do progenitor ou esposo, segundo me afirmou o António, seguidor deste blog.

Há uns dias, quando fui ao vidrão despejar garrafas, apanhei abertas as portas da entrada, que durante tantos anos admirei em livro. Não pude resistir e à revelia tirei uma fotografia, onde se entrevê uma mesa bufete com cadeirão do século XVII, o chão lajeado e uma fiada de azulejos marmoreados setecentistas, que já dão bem uma ideia do luxo de uma antiga casa conventual lisboeta

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Painel quinhentista de azulejos e Alminhas do Purgatório em Alcácer do Sal.


Não é preciso ir Museu Nacional do Azulejo para ver colecções estupendas daquele revestimento cerâmico. Muitas cidades e vilas do País apresentam aqui e ali apontamentos azulejares, que nos deixam de boca aberta de admiração.

Em Alcácer do Sal, uma terra com um ar mourisco encantador descobri um chafariz, no Largo Aragão Mascarenhas, onde no alto se encontra um painel quinhentista, contendo uma caravela daquelas, que nós imaginámos nos descobrimentos portugueses a percorrer os mares da Índia e aportar ao Brasil. Representando as armas da vila, o painel está datado do ano de 1592 e tem uma inscrição latina, SALACIA URBS IMPERATORIA, que era o nome que os romanos davam à localidade.

Enfim, o tema da caravela não surge ao acaso, já que Alcácer do Sal foi desde sempre um porto de importante e participou activamente nos descobrimentos fornecendo madeira de Pinheiro Manso, que se encontra em abundância na região, para a construção naval.

Depois, uns dez minutos, mais tarde, um pouco mais abaixo, em frente à igreja de Santiago, encontrei mais um painel de Alminhas do Purgatório. Estas Alminhas são francamente mais barrocas e movimentadas, do que aquelas que aqui tenho mostrado, nos meus posts de 16 de Julho e 12 de Agosto. Aliás, ando com vontade de fazer uma colecção de fotografias de Alminhas do Purgatório, não sei exactamente para quê, mas o ser humano é um coleccionador compulsivo. Desejamos sempre apropriamo-nos daquilo que vemos e como fomos educados a não roubar, fotografamos, desenhamos ou compramos réplicas para poder possuir os objectos, que gostámos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Chávena Vista Alegre da segunda metade século XIX


Herdei esta chávena de chá da minha avó. Terá vindo do Solar de Outeiro Seco e em tempos fez parte de um serviço completo, que se partiu ou foi disperso. Vamos lá nós saber porque é que esta terá sobrevivido às lavagens das criadas desastradas ou a partilhas entre irmãs e irmãos desavindos.
A sua decoração é simples, feita com uns ramos nus onde só aparecem umas folhinhas aqui e acolá. Dir-se-iam ramos de um Ácer com os rebentos a nascer, mas não sei o suficiente de botânica, para me pronunciar sobre a espécie em causa. Em todo o caso representa os ramos de uma árvore ou arbusto de folha caduca, no início da Primavera. Essa forma de representar um momento da natureza dá-lhe um ar oriental, quase japonês.

Pela marca pintada a dourado, (embora na fotografia não pareça pois houve qualquer fenómeno inusitado que alterou as cores. Grrr...), a chávena parece-me ser do período entre 1870-1880, mas poderá ser mais tardia. Nesta época, a Europa estava a descobrir a arte japonesa. Tinham sido apresentadas as primeiras exposições de arte do Japão e os artistas europeus estavam a assimilar as impressões causadas pela sofisticada simplicidade das gravuras e estampas daquele país.

Nunca encontrei nos antiquários ou feiras de velharias este motivo. Apenas no http://www.avaluart.com/ vi um bule com um motivo vagamente semelhante com marca datada entre 1881-1921.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Senhor dos Passos

Não há só ninfas a velar pela minha existência. Na mansarda onde vivo há toda uma corte de santos, virgens e Cristos, que me protegem contra as más sortes contemporâneas, como o aumento do IVA, a EMEL, o Pacto de Estabilidade e Crescimento, a Reforma da Administração Pública e outras coisas fantásticas feitas a pensar no bem-estar do cidadão. Já tentei contar os cristos na minha casa. Creio que andavam à volta de vinte e tal, mas, entretanto terão entrado outros.

Há quem ache os Cristos macabros e se pensarmos bem, tem uma certa razão, porque um homem, ensanguentado, atravessado por pregos numa cruz é uma imagem terrível de se ver. Há uns anos trabalhei na organização de uma grande exposição retrospectiva de arte portuguesa no Japão e os nipónicos recusaram-se categoricamente a receber Cristos sofredores, descidas da cruz, martírios e outras coisas terríveis com que o Catolicismo romano se compraz. Só aceitaram e ao engano, um menino Jesus, gorduchinho, rodeado de flores, pintado pela Josefa de Óbidos.

Mas, embora não tenha fé, fui educado no gosto eclesiástico dos dourados, da arte sacra, dos azulejos e tenho uma paixão por estes cristos sofredores, com que vou enchendo a minha casa, aqui e acolá. Qualquer soleira da porta ou espaço disponível serve para pôr mais um.
Este Senhor dos Passos, sem cabeleira, sem cruz e com um manto de seda desbotada, que já foi roxa, faz as minhas delícias. Nos finais do Século XVIII ou mais seguramente em príncipios do XIX, uma senhora devota costurou-lhe o manto e executou o bordado a fio de ouro com todo o amor. Depois colocou-o num oratório ou numa maquineta e por um período de mais de 150 anos foi objecto de orações fervorosas. Mas, os tempos mudaram, as senhoras devotas morreram todas e o Cristo foi esquecido num sítio qualquer, deixado ao sol, que lhe desbotou as vestes e entregue à rataria e ao caruncho, que acabaram por lhe destruir a cruz, até acabar no chão da Feira-da-Ladra, onde eu o descobri e lhe proporcionei uma reforma aceitável à sua longa vida milagreira.

O Senhor dos Passos é uma invocação de Jesus Cristo, que faz referência ao trajecto percorrido por Este desde sua condenação à morte no Pretório até o seu sepultamento, após a crucificação no Calvário.

A história desta devoção remonta à Idade Média, quando os cruzados visitavam os locais sagrados de Jerusalém por onde andou Jesus a caminho do martírio e quiseram depois reproduzir espiritualmente este caminho, nas suas terras de origem, sob forma de dramas sacros e procissões, ciclos de meditação, ou estabelecendo capelas especiais nas Igrejas.

A reconstituição do trajecto de Cristo é conhecida pelas Estações ou Passos da Via Sacra, mas falarei neles com mais pormenor noutra altura, já que são tão importantes na história da arte, pois há um sem número de esculturas, gravuras e pinturas alusivas ao tema, que para nós os descrentes, já se tornam difíceis de interpretar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Capela do Solar dos Montalvões: Sta. Rosa de Viterbo ou de Lima


No meu post de Abril sobre os santos que pertenceram à capela de Sta. Rita, do Solar dos Montalvões, em Outeiro Seco, tive sérias dúvidas sobre a identificação da Sta. Rosa, pois há duas Santas Rosas, uma de Viterbo e outra de Lima e a iconografia das duas anda à volta do mesmo, uma virgem em êxtase com traje de monja e uma coroa de rosas ou de espinhos

Esta semana, ao desfolhar o belo livro de Sónia Talhe Azambuja, A linguagem simbólica da natureza: a fauna e a flora na pintura seiscentista portuguesa. Lisboa: Veja, 2009, para o qual tive o gosto de prestar uma pequena colaboração na pesquisa de imagens, consegui finalmente encontrar a solução para o mistério das Santas Rosas.

Para os mais ateus ou menos informados sobre iconografia cristã, volto a repetir que existem duas santas Rosas. Uma Santa Rosa de Viterbo, italiana, que viveu entre 1233-1252 e que é património da Ordem terceira de S. Francisco e uma Santa Rosa de Lima, originária do Peru (1586 - 1617), que foi uma mística da Ordem Terceira Dominicana, canonizada pelo 1671.

A primeira é tradicionalmente representada com uma franciscana, com o característico cordão à volta da cintura, conforme se pode ver no quadro do pintor espanhol Murillo.


A segunda, a Sta Rosa de Lima, apresenta-se como uma dominicana, com o traje a preto e branco, característico daquela ordem. A pintura seiscentista de Bento Coelho, os Desposórios Místicos de Santa Rosa de Lima, que está na igreja de S. Nicolau de Santarém e aparece reproduzida no livro de Sónia Talhe Azambuja é um bom exemplo da iconografia típica desta Santa.

A principal diferença entre as santas é o traje religioso, pois tudo o resto é facilmente confundível
Portanto, agora posso concluir com segurança que a Santa Rosa que se encontrava na capela de Sta Rita, no Solar dos Montalvões, em Outeiro Seco, é efectivamente uma Santa Rosa de Viterbo, pois apresenta o típico traje dos religiosos fransciscanos, de cor acastanhada e com o cinto de corda com os nós.

As fotografias da Santa Rosa de Viterbo, da capela de S. Rita são do Humberto

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vasos de Faiança Miragaia no Brasil



Um dos aspectos mais positivos deste blog tem sido o reencontro não só com as minhas raízes familiares, mas também como uma parte da História, menos conhecida.

Através deste espaço conheci pessoas da aldeia de onde a família do meu pai é originária, Outeiro Seco e com a qual eu já tinha perdido todo e qualquer contacto. Desse reencontro recuperam-se memórias perdidas sobre o Solar dos Montalvões e até saiu um livro.

De um ponto de vista histórico, o blog permitiu-me descobrir parte de um passado comum, que partilhamos com os brasileiros, que tem aderido aderido espontaneamente a este blog, interessando-se pela faiança, pelos azulejos ou pela arte sacra e me enviam e-mails com fotografias de obras semelhantes ou da mesma tipologia, que encontram no Brasil.

Recentemente e muito próposito do meu post Luso Tropicalismo em faiança e azulejos , recebi um simpático e-mail de um seguidor brasileiro, o Luís Pavão, com fotografias de vasos de faiança de fabrico português, colocados no topo de um velha casa apalaçada, existente numa cidade do Estado de S. Paulo.

Emocionei-me quando abri o e-mail e vi as fotografias dos vasos da prestigiada Fábrica de Miragaia, do Porto, pintados com o motivo decorativo País (1822-1850), pelo qual eu tenho uma verdadeira paixão e que infelizmente nunca consegui encontrar no mercado de velharias, um prato ou pires que fosse dessa decoração (por um preço aceitável, claro está)

Achei muita graça a estas fotografias, pois na recente exposição que se fez em 2008, no Porto, no Soares dos Reis, intitulada Fábrica de Louça de Miragaia, vi dois vasos muito semelhantes a este, propriedade da Confraria do Santíssimo Sacramento de Miragaia, datados entre 1830 e 1850 e que também apresentam a característica marca de Miragaia desta época, em letras góticas.






No referido catálogo, mencionam-se também as encomendas de azulejos que a Fábrica Miragaia recebia do Brasil, bem como de peças de mobiliário de jardim. Aliás, o fundador da fábrica Miragaia (1775), João Rocha, tinha começado por fazer fortuna na Bahia e é pois muito natural que a família tenha mantido sempre contactos com o Brasil, que facilitaram posteriormente a exportação de faiança.

Agora, através do Luís Pavão, descubro também vasos de Miragaia, no alto duma casa, construída na longínqua Ubatuba, em 1846, pelo Manoel Baltazar da Cunha Fortes, um comerciante português que fez também fortuna com o Café.





Os elementos que o Luís Pavão me enviou são também muito oportunos, porque no post que fiz sobre a azulejaria de fachada, cuja moda começou no Brasil e depois se difundiu em Portugal, ao longo de todo o século XIX, esqueci-me de mencionar, que paralelamente aos azulejos de revestimento, as fábricas forneciam aos seus clientes complementos de decoração arquitectónica em faiança, tais como balaustradas, vasos, urnas, pinhas e ainda estatuetas com alegorias à indústria, às artes e ao comércio. Esses elementos decorativos, que iam muito bem com o revestimento azulejar eram colocados no topo dos edifícios, como neste belo sobrado de Ubatuba, ou também em cada esquina de um portão e deixavam os proprietários cheios de vaidade, a acharem que viviam numa espécie de Palácio de Versalhes.


Já agora, Ubatuba, é uma terra do estado de S. Paulo (ver mapa), que teve um enorme crescimento económico no século XIX, graças a abertura dos portos brasileiros, em 1808 e chegou a rivalizar em importância com S. Paulo. Durante este século, encheu-se de casas ricas apalaçadas e de um teatro

Pela minha parte, que nunca tinha ouvido falar em Ubatuba, passei a simpatizar com esta cidadezinha e a sentir que tenho qualquer coisa em comum com as suas velhas casas e os seus habitantes.