Como todos os seguidores deste blog já sabem tenho uma paixão por registos de santos do século XVII, essas imagens piedosas, que antigamente as pessoas guardavam nos livros de orações ou então emolduravam com restos de passsamaneria, aproveitada de vestidos ou de trajes eclesiáticos.
Esta gravura de S. Bento de Núrsia de pequenas dimensões foi muito bem executada. Mas, não é só o seu desenho muito preciso, que me interessa, é também a figura, porque uma boa parte do que é hoje o nosso continente e a nossa cultura, deve-se a este Santo, que a Igreja católica transformou muito justamente em Santo Padroeiro da Europa.
S. Bento de Núrsia (480- c. 547) é o fundador da regra e ordem de S. Bento e o pai do Monaquismo ocidental.
Esta gravura de S. Bento de Núrsia de pequenas dimensões foi muito bem executada. Mas, não é só o seu desenho muito preciso, que me interessa, é também a figura, porque uma boa parte do que é hoje o nosso continente e a nossa cultura, deve-se a este Santo, que a Igreja católica transformou muito justamente em Santo Padroeiro da Europa.
S. Bento de Núrsia (480- c. 547) é o fundador da regra e ordem de S. Bento e o pai do Monaquismo ocidental.
Antes de S. Bento o monaquismo era uma prática mais ou menos desorganizada e sobretudo individual. As últimas décadas do Império romano e os tempos que se lhe seguiram foram de intensa fé e havia muitos homens e mulheres, que abandonavam o conforto das cidades para procurarem uma vida de despojamento, passada a meditar e rezar, em locais ermos e afastados do mundo. Normalmente faziam-no a título individual e depressa houve exageros de fé e devoção, que raiavam quase a loucura. O mais célebre desses eremitas, foi S. Simeão o Estilita, (392 - 459) que viveu no alto duma coluna de 17 metros, durante 39 anos.

Outro caso conhecido é o de Maria Egipcíaca (século V), que deixou para trás uma vida de cortesã de luxo na cidade de Alexandria, para viver no deserto durante 47 anos na mais completa solidão, tendo apenas Deus por companhia. Ao fim desses anos, quando São Zózimo a encontrou no deserto as roupas tinham-se desfeito e apenas os seus longos cabelos lhe cobriam a nudez.
Sta. Maria Egipcíaca do Museu Nacional de Arte AntigaOutros devotos juntavam-se em comunidades religiosas, mas cada qual vivia um pouco à sua maneira e era muito vulgar os conflitos estalarem entre os seus membros.
Com S. Bento de Núrsia esses excessos e loucuras acabaram. Fundou uma comunidade baseada numa regra. Segundo esta Regula monasteriorum a comunidade passa ser dirigida por um abade (que quer dizer, pai, em grego), que a faz respeitar aos monges quatro princípios essenciais: a moderação, a gravidade, a austeridade e a doçura.
A regra vai servir de inspiração à organização de todas as comunidades monásticas do cristianismo ocidental e sobre ela directamente se edificam duas grandes ordens religiosas, que ajudaram a formar a Europa, Cluny e Cister, que são reformas da primitiva ordem de S. Bento. Os eremitas, anacoretas e outros individualistas deixam de ter lugar neste novo espírito de organização religiosa.
Relativamente à iconografia, S. Bento é aqui representado como Abade, com o respectivo bastão e traz na mão um cálice de onde sai uma serpente, que é alusão aos problemas que teve na organização de um mosteiro em Vicovaro, em que os monges insatisfeitos com as suas tentativas de impor a autoridade na vida da comunidade o tentaram envenenar, Segundo a lenda, quando S. Bento abeirou os lábios do cálice contendo o vinho envenenado, saiu uma serpente e o recipiente desfez-se em pedaços.
A gravura saiu das oficinas de um tal Santos, que segundo o Roteiro da Colecção do Museu Nacional de Soares dos Reis. Lisboa: IPM, 2001, p. 88 é um dos gravadores impressores mais activos da cidade do Porto.









Pia de Água Benta de Coimbra, Museu Nacional de Arqueologia, inv 1148
Alminhas, da colecção António Capucho



A Mimi fotografada como se fosse uma 
