Para perceber exactamente o que um vidro à la façon de Venise, designação francesa por que ficou conhecido este trabalho, é preciso recuar um pouco no tempo, ao século V, o período das invasões dos bárbaros, que puseram fim ao Império Romano do Ocidente. Com a queda de Roma, desapareceu do Ocidente Europeu à arte de trabalhar o vidro, que os romanos tanto tinham aperfeiçoado, com a introdução da técnica do sopro.No Século XIII a arte do vidro reaparece na Europa Ocidental, em Veneza, mediante a instalação naquela cidade de mestres vidreiros vindos de Constantinopla, que ensinaram aos venezianos as técnica mais simples, como as mais complicadas usadas na Ásia para colorir, dourar e esmaltar. Nos finais do Século XIII, para evitar os constantes incêndios, provocados pelos fornos das oficinas, os doges circunscreveram a produção de vidro à ilha vizinha de Murano e mantiveram nesse pequeno espaço os mestres vidraceiros debaixo de um controlo muito apertado. Com efeito, desde essa época o vidro veneziano ganhou uma enorme reputação por toda a Europa. Todos os grandes fidalgos, príncipes e ricos burgueses cobiçavam aquelas peças preciosas que só os Venezianos sabiam fabricar e cujo segredo mantinham com todos os cuidados. As autoridades venezianas proibiram a saída da laguna de materiais ou ferramentas relativas à arte do vidro e todo o mestre vidreiro, que abandonasse Murano era automaticamente considerado como traidor e sujeito à pena de morte se fosse apanhado
Copo à la façon de Venise do musée de DijonO prestígio do Vidro veneziano não parou de crescer e no renascimento desenvolveu-se a técnica da filigrana de vidro, que podemos observar neste copo. Contudo no século XVII, os monarcas e príncipes Europeus, à custa de muito ouro, subornaram os mestres de Murano e trouxeram-nos para os seus países, nomeadamente para França, Flandres, Países Baixos, Estados Alemães, Boémia e Inglaterra onde passaram a produzir vidro à maneira de Veneza, com este trabalho precioso de filigrana, moda que se prolongou pelo Século XVIII fora.

Copos à la façon de Venise no musée Curtius, Bélgica
É complicado datar e localizar exactamente o centro de fabrico este copo em particular. Vi dois copos muito semelhantes a estes à venda no Marche aux Puces de Paris. O Louvre vendia réplicas de vidros destes das suas colecções. Enfim, o máximo que se pode adiantar é que é certamente um copo feito à la façon de Venise.










