Em 30 de Setembro de 2009, iniciei este blog com a ideia de sistematizar conhecimentos de faiança, gravura e outras antiguidades, mas também porque precisava de qualquer projecto pessoal, que me distraísse da estagnação profissional em que me encontrava. Tinha muita experiência como webmaster, uma larguíssima prática de navegação em sites culturais e apetecia-me aplicar à minha maneira, esses conhecimentos, sem me submeter a directivas oficiais, ou ter que redigir textos em oficialês, língua obscura, usada na administração pública, que o Diário da República é o expoente máximo. Queria ter o meu site pessoal na Internet, sem artifícios gráficos, com uma imagem limpa e simples, que pusesse em evidência os textos e as imagens.
Comecei aos poucos, mas sem acreditar muito que alguém fosse ler os textos. Normalmente, os assuntos que me interessam não estão propriamente na moda, mas logo de início tive o Manuel a ler-me e a comentar-me, apesar de me ver pessoalmente quase todos os dias. Aliás, os dois comunicamos muito bem pela escrita. Depois, passado uma ou duas semanas, com surpresa tive o primeiro seguidor, depois um segundo, um terceiro e depois veio a Maria Isabel, a Maria Paula, a Maria Andrade, a Marília, a Idanhense, as seguidoras misteriosas, o C e o Joaquim, sem esquecer as gentes de Outeiro Seco, com as quais fiz coisas gírissimas. O Humberto descobriu documentos e fotografias inéditas do Solar dos Montalvões e com o Altino Rio participei com três textos do blog Velharias no livro Outeiro das Lembranças, publicado por sua iniciativa. Aliás, a par da faiança, porcelana e gravura e o mobiliário, as memórias familiares foram outras das “velharias” que fui tratando ao longo deste blog. Conhecer a história familiar é uma forma de conhecer quem somos e depois os objectos de porcelana, as estampas o mobiliário, trazem-nos lembranças de tios e avós, que nos deixaram há muito e levam-nos a pesquisar histórias com mais de 100 ou duzentos anos para percebermos melhor esses objectos.
Outro aspecto muito interessante destes dois anos foi o eco e o diálogo estabelecido com amigos brasileiros. Nomeio claro o Fábio, mas também os outros amigos, que me enviaram peças estupendas de faiança Miragaia e de Sto. António do Vale da Piedade, que estão no alto de casas antigas perdidas no Brasil. Também deste País, conheci gente com a qual partilhei conhecimentos de gravura.
Sei também que tenho seguidores silenciosos, gente que me lê e não comenta. Uns são antigos colegas de faculdade, ourtos primos e outros não conheço de todo.
Enfim, parece que ganhei um Óscar por causa dos milhões de visitantes recebidos e tenho que agradecer à mãezinha e ao cabeleireiro, passando pelo produtor. Na verdade, não tenho milhões de visitantes e este blog tem um público reduzido, mas não queria deixar de expressar o meu reconhecimento à tertúlia virtual que ao longo destes dois anos me proporcionaram os meus seguidores e que tem sido um jogo de espírito muitíssimo estimulante.






