quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Chávena decorada a partir de desenho de Adam Buck


Em Março de 2012, apresentei neste blog um conjunto de chávena e pires, de fabrico inglês dos primeiros anos do século XIX, decorados a partir de desenhos de Adam Buck (1759-1833), um pintor irlandês, que desenvolveu um trabalho de retratista e miniaturista em Londres ao mais puro estilo neoclássico.

A descoberta de como a faiança se inspirou na pintura e na gravura foi uma surpresa muito interessante para mim. Penso que temos tendência a partir as artes em arquitectura, pintura, escultura, faiança e porcelana, como se a vida se dividisse nos capítulos de um manual escolar e esquecemo-nos que existe um gosto, ou um conjunto de gostos numa determinada época e as mesmas imagens circulam entre a gravura e o mobiliário, passando pela faiança, desenho ou pela ourivesaria.
 
Mesa (1801 -1825). Museu Nacional de Arte Antiga. Inv. 1381 Mov. http://www.matriznet.ipmuseus.pt
Um detalhe da mesma mesa. http://www.matriznet.ipmuseus.pt
Voltei a comprovar essa impressão há bem pouco tempo, quando um colega meu, o Ramiro, me chamou a atenção para que na exposição permanente de mobiliário do Museu Nacional de Arte Antiga, existe uma mesa estilo Império, com a representação de uma mãe e de um bebé, que segue muito de perto um desenho de Adam Buck.



Na mesma sala onde está exposta esta mesinha, há um recanto com uma estampa, The darling asleep gravada a partir de um desenho de Adam Buck (1809), que certamente serviu de inspiração aos mestres, que executaram a mesa.
 
Um recanto da exposição permanente do MNAA, onde se vé uma estampa feita a partir de um desenho de Adam Buck
A estampa mostra assim aos visitantes do museu a relação entre a gravura e a mesa, e serve para que estes entendam como as gravuras eram os meios mais usados e baratos para transmitir modas de uns países para os outros.
The "darling asleep" de Freeman, segundo desenho de A. Buck (1809).
Neste recanto da exposição permanente do Museu Nacional de Arte Antiga, ficaria bem a chávena do Manel, que num dos lados, mostra também uma mãe com o bebé adormecido nos braços

A chávena do Manel
 

10 comentários:

  1. Olhe, Luís, adorei ver aqui estas peças do MNAA, que não conhecia, a par da taça e pires do Manel.
    Embora seja cliente habitual do museu - quase sempre que vou a Lisboa :) - geralmente não me perco para os lados do mobiliário e se já vi esta mesa, não reparei nesse pormenor do tampo. A gravura segundo Adam Buck também é um pequeno mimo que gostei de conhecer.
    Aliás, se não se importar, talvez utilize essas imagens num post do chá com as minhas amigas americanas que quero fazer brevemente. É que comprei há tempos mais uma chávena e pires com estes motivos, não lhes resisto :), e já agora divulgava estas belas peças do nossso MNAA.
    Gostei muito!
    Beijos e bom fim de semana.

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  2. Maria Andrade

    Divulgar no seu blog estas imagens de peças do MNAA é um favor que faz ao Museu e à cultura Portuguesa, além de que as imagens do Matriz.net são públicas

    A colecção do Museu é tão rica, que estamos sempre a descobrir novas coisas. Eu já tinha visitado a secção de mobiliário umas 6 ou 5 vezes e foi preciso o Ramiro chamar-me a atenção, para me aperceber, que ali existiam duas imagens feitas a partir de desenhos do Adam Buck, de que tinha já escrito no blog a propósito da faiança inglesa. Foi surpreendente perceber as ligações entre a faiança, o mobiliário e o desenho, feitas através da gravura.

    bjos

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  3. Luisy.
    Venho do Memórias e Imagens. O nome do seu blogue despertou-me a atenção pois gosto muito de velharias.
    Encontrei um desenho lindíssimo aplicado num objeto que me é caro: uma chávena de chá.
    Aprecio o chá e todos os objetos a ele associados.

    Boa noite!

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  4. Ofereci-lhe um Liebster Blog Award. Não sei se liga a esses prémios, mas ali fica. Parabéns pelo seu blogue!

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  5. Cara Ana

    Bem vinda ao meu blog é agradeço o seu comentário simpático.

    Um abraço

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  6. Cara Margarida

    Muito obrigado. Fico muito contente com a nomeação sobretudo porque vem de si e estas nomeações são sempre agradáveis e trazem mais visitantes ao blog. Vou tentar perceber as regras da coisa

    Um abraço

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  7. Cá está esta aprendiz a deleitar-se mais uma vez com os seus posts e, o mais importante de tudo, a aprender, entre outras coisas, a ter um olhar mais atento e crítico nesta coisa das artes.Gostei de seguir o seu raciocínio sobre a transversalidade dos diferentes tipos de arte e da maneira como uns se inspiram nos outros.
    Foi um prazer rever a chávena do Manel.
    Beijos

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  8. Já me tinhas referido que o Ramiro te tinha referenciado este tipo de desenho como pertencendo a uma peça de mobiliário do MNAA. Logo de seguida estive no museu e lá consegui descobrir esta peça, o que só quer dizer que o Ramiro tem um golpe de vista fantástico, pois eu, que por defeito de gosto, passo a vida à volta desta coleção de mobiliário, nunca tiha reparado neste pormenor.
    Esta combinação de esforços é algo que admiro profundamente, quando um ou mais ramos das artes concorrem na consecução de uma peça, a qual me parece sempre mais enriquecida e completa com os respetivos contributos.
    É admirável este facto.
    Este contributo dos diversos ramos da artes está dentro do espírito que orientou o movimento Arts & Crafts inglês que, logo de início, me pareceu tão apelativo, apesar de idealista, como se veio a comprovar
    Manel

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  9. Maria Paula

    Muito obrigado pelo seu comentário e ainda bem que apreciou o raciocínio sobre a transversalidade dos diferentes tipos de arte e da maneira como uns se inspiram nos outros. Há uns tempos tive uma crítica de um seguidor por ter falado de uma estampa com uma "última ceia", em vez de falar sobre faiança, como ele gostaria. As artes estão de facto ligadas e mesmo que gostemos mais de faiança ou porcelana, temos que conhecer também as outras artes, para que possamos entender melhor a cerâmica.

    Bjos
    Um abraço

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  10. Manel

    Estas pequenas descobertas são fascinantes. É também muito engraçado, quando achávamos que já sabiamos tudo sobre uma peça e encontramos mais informações sobre ela e ainda por cima onde menos suspeitavámos, no nosso local de trabalho.

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