sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bule da Fábrica de Loiça de Sacavém


Poucas serão as famílias portuguesas que não têm uma peça de faiança da Fábrica de Sacavém em casa. Estas loiças são praticamente uma referência nacional, como o galo de Barcelos, o Atum Bom Petisco ou uma dessas outras marcas que acompanharam a vida de gerações de portugueses. É certo que a produção da fábrica seguia muito de perto as modas da faianças inglesa, pois seus patrões eram britânicos, mas como conseguiram fazer chegar os seus produtos a quase todos os lares do nosso País, passámos a identificar o serviço do cavalinho com os nossos pais, avós e as casas antigas de família, ricas ou remediadas.



Apesar de a loiça de Sacavém, existir em todas as casas e ser a faiança mais abundante em todas as feiras de velharias, continua a surpreender-nos pela variedade da sua produção, que se estendeu por um período de quase um século e meio. Foi aquilo que me aconteceu a mim e ao Manel quando descobrimos este bule de chá no chão da Feira de Estremoz. Achamo-lo tão raro, que à primeira vista nos pareceu inglês. Mas quando, o virámos lá vimos a marca de Sacavém e ainda por cima das mais antigas.

Segundo o Dicionário de marcas de faiança e porcelana portuguesas- Lisboa: Estar Editora,1996 esta marca data de cerca de 1870

O Manel comprou o Bule por um preço muito em conta e colocou-o no aparador da sala jantar, onde expõe os azuis e brancos, essa combinação que se tornou a imagem de marca da cerâmica em Portugal.

20 comentários:

  1. De vez em quando, mas mesmo "muito em quando" aparecem estas peças raras, que nunca antes tinha visto!
    Nem os catálogos, editados pelos serviços do museu, que tomaram conta do espólio da desaparecida fábrica de Sacavém, os possui ... mas também não admira, aquilo que editaram é absolutamente lamentável e sem qualquer interesse. Lastimo sinceramente o pouco, ou nenhum, trabalho feito nesta área pelos serviços deste museu!
    É uma peça que chama o olhar de qualquer mortal a "quilómteros" de distância, e eu não escapo a este chamamento, sobretudo quando foi em dia algo entroviscado, que baixou irresistivelmente o preço do bule.
    São os melhores dias para comprar!
    Manel

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  2. A Fábrica de Sacavém merecia de facto um museu melhor, mas enfim, talvez alguém um dia se resolva pegar naquilo e organizar uma colecção demonstrativa do percurso da Fábrica com a dignidade que o museu da Vista Alegre tem, que esse sim, é um museu a sério.

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  3. Que maravilha é este bule! Forma, motivo e cor, tudo se conjuga para ser uma peça também muito ao meu gosto!
    Curiosamente vi há tempos um bule à venda com esta forma e peguei nele a pensar que era inglês, mas lá estava uma marca de Sacavém do séc. XIX, penso que Real Fábrica. O motivo era diferente deste, também monocromático mas a castanho claro, com flores e arabescos do género que também aparece muito em faiança de Alcântara.
    Nem perguntei o preço porque, sendo Sacavém do séc. XIX e estando completo, calculei que fosse caro e eu nesse dia já tinha gasto a minha conta ;)
    Mas ainda tenho esperança de o voltar a ver!
    Parabéns ao Manel pela compra deste belo exemplar!
    Abraços

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    1. Luís
      O bule é magnífico. Não conhecia nenhum motivo igual ou semelhante a este. Parabéns ao Manel por esta aquisição.
      Abraços
      Maria Paula

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  4. Ex.mos. Srs. Manuel e Luís,
    Apesar dos lamentáveis e desinteressantes catálogos editados pelo "inútil" serviço cultural que é o Museu de Cerâmica de Sacavém, não deixei de constatar que alguns post´s que se encontram neste interessante blogue, sobre a faiança de Sacavém, fazem referência aos ditos catálogos e até utilizam fotos retiradas dos mesmos.Aproveito para sugerir a V/Exas que se voluntariem no sentido de, utilizando o V/douto conhecimento e empenho, possam contribuir para tornar o Museu de Cerâmica de Sacavém, num museu a sério.

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  5. Boa noite a todos os que fizeram os comentários acima. Já muito fazem os responsáveis pelo Museu de Sacavém!!!! Se não sabem, informo que o Museu não tem verbas para adquirir peças. Para as exposições e respectivos catálogos têm de recorrer a peças de coleccionadores particulares, e têm de se sujeitar às peças que são emprestadas, como também recorrem às peças que são doadas ao Museu. Logo, se o Museu não consegue apresentar peças melhores, NÃO é por desleixo ou desinteresse, mas porque NÃO as têm. É como diz o velho ditado: "Não se fazem omeletas sem ovos"! Em vez de criticarem, o que é bastante comum dos Portugueses, tentem primeiro saber o que se passa com a realidade do Museu. E já agora, se tiverem peças e que não queiram, o Museu agradece. Cumprimentos de um verdadeiro coleccionador e que já doou ao Museu peças melhores do que este bule. Amigo de Sacavém.

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  6. Olá Luís e Manel

    O bule é extraordinário pela decoração e formato. No imediato a decoração fez-me lembrar um padrão de azulejos.
    Parabéns ao Manel pela aquisição,também pelo requinte como o expôs ao lado de outras peças de cor semelhante, engrandeceu o ambiente, tornou o espaço soberbo.

    Lá diz o ditado " gostos não se discutem".
    Não sou uma apreciadora de Sacavém. Nunca fui. Talvez porque apesar da laboração de um século e tanto, a maioria de peças é ainda tão banal e comum na casa de todos que à partida me afasta de colecionar esta fábrica.Há contudo exceções. Este bule , uma travessa oitavada que foi pertença da minha avó materna em verde do cavalinho e, pouco mais...

    Nas feiras como vendedora noto o fanatismo que existe na procura desta loiça, precisamente porque foi a maioritariamente usada na geração dessas pessoas..." vou levar esse prato porque é igual ao que o meu pai comia"...dantes havia pouca loiça em casa, havia muita gente que tinha o seu prato, inclusive na faiança de Coimbra havia o uso de lhe fazerem na bordadura um furinho com o mesmo instrumento de fazer os "gatos", servia para o pendurar seja pelas costas a caminho do trabalho seja na cantareira da lúgrebe cozinha.

    A faiança é um fascínio.Aprecio saber que ainda há boa gente que faz doações a Museus. No domingo na feira de Paço d'Arcos ouvi uma conversa entre dois homens, dizia um para o outro" não tenho filhos, um dia quando morrer os meus sobrinhos chamam um gajo destes,vendem tudo por uma ninharia, mas que fazer se isto me dá um gozo do katano"...ora aqui está um potencial doador, como ele tantos outros haverá, porque razão não publicitam os diretamente ligados a Museus sabendo das suas carências(?)

    Beijos
    Izabel

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  7. Caros Luís e Manel, antes de mais, queria pedir desculpa pela forma como escrevi o meu comentário, onde falo da falta de verbas que o Museu de Sacavém tem. Mas depois de ler comentários onde vários atacam um Museu de que gosto e onde me dou bem com funcionários desse Museu, fiquei um pouco exaltado. Vejo que se têm dedicado às velharias e antiguidades e espero que continuem a manter este hobby que às vezes torna-se como um bichinho. Comigo começou como um bichinho herdado da minha mãe, só que eu fui mais longe e tenho-me dedicado e aprofundado unicamente às peças de Sacavém. Vocês apresentaram um prato Minerva com a marca a dizer Rapariga, conheço quem enviou a imagem e este prato hoje é meu.

    Queria dizer à Izabel que Sacavém, como outra fábrica qualquer, produziu peças banais e outras que de banalidade não têm rigorosamente nada. Moro em um apartamento e tenho-me dedicado a Sacavém no seu melhor. No início comprava qualquer tipo de peça porque era até onde a minha mesada permitia. Mas agora as coisas são diferentes. Inclusive tenho um grupo de amigos vendedores, e alguns também vendem na feira de Paço de Arcos, e estes amigos quando encontram peças a que chamo de "raras" e "diferentes" dão-me sempre a prioridade. Tenho-me rodeado de peças que de banal não têm nada.

    E para terminar, queria dizer aos autores do blogue que se algum dia poderei ajudar de alguma forma, podem dispor. Contactem o amigo que vos enviou imagem do referido prato Rapariga.

    Cumprimentos,
    HC

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  8. Caro Amigos

    Muito obrigado pelos vossos comentários.

    Em primeiro lugar, este blog é uma página pessoal onde expresso livremente as minhas opiniões. Os meus comentadores também são livres de escreverem o que pensam. Tudo aqui é passível de ser questionado. Claro, desde que as pessoas mantenham a educação, mas no geral, este blog atrai pessoas civilizadas e nunca tive que bloquear ninguém.

    Há um enorme interesse pela loiça de Sacavém em Portugal. Há muito pequenos coleccionadores que constituem os seus pequenos tesouros com peças daquela que foi a maior fábrica de faiança do País. O Manel ou eu incluímo-nos nesse grupo e fomos visitar o Museu de Sacavém com o intuito de saber mais sobre esta loiça. Apesar da boa arquitectura e do magnífico forno que foi conservado, ficámos profundamente desapontados, pois o museu não tinha colecção permanente. Não havia sequer um prato ou uma terrina da loiça do cavalinho para encher o olho! Fomos quase coagidos a ver duas exposições temporárias de fraca qualidade, uma delas feitas com placards bastante caros, sendo que nenhuma delas mostrava nenhuma das loiças que fizeram a história da fábrica.

    Trabalho na cultura e conheço as dificuldades do meio. Mas também sei que o Museu dispõe muitas peças doadas pela Obriverca e que estão encafuadas nas reservas.

    Quanto às sugestões são simples. O Museu tem que ter uma colecção permanente, com as peças que marcaram a história da fábrica e vida dos portugueses durante quase um século e meio.
    Sugiro também ao Museu fazer um blog, que é gratuito, para mostrar as suas colecções. Juro-lhe que os visitantes acorreriam aos milhares. Sempre que posto sobre Sacavém, os visitantes do blog disparam

    Quanto à doar peças para o Museu, não vejo por que motivo o faria. Não sou velho e não me apetece dar coisas para ficarem encaixotadas no armazém. A melhor maneira de atrair de o museu atrair doações é apresentar uma colecção permanente, que faça os eventuais mecenas desejarem estarem ali representados com as suas peças.

    Pela minha parte, vou de uma forma muito modesta, divulgando a faiança portuguesa e estimulando a troca de ideias acerca desta arte cerâmica

    Um abraço a todos

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  9. Caro HC

    O único autor do blog sou eu, mas o Manel, que é uma espécie de comentador residente e empresta-me algumas peças para mostrar aqui. Recordo-me perfeitamente de si, e da história da Rapariga versus Minerva e da sua gentileza e não estou nada aborrecido por ter expresso as suas opiniões de forma livre.

    Um abraço

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  10. Peço desculpa por responder neste blog, que não é meu, apesar do dinamizador dele, graciosamente, me ter sempre colocado à vontade para expressar as minhas opiniões, o que lhe agradeço.
    E, como alguns comentários acima, referem-se a mim também, senti-me menos constragido a argumentar.
    Por causa de dúvidas que entretanto se me depararam, voltei a ler este "post" de "fio a pavio", a tentar perceber se acaso o Luís terá feito referência, no texto, a qualquer crítica à Fábrica de Sacavém!
    Nada! Não há qualquer referência!
    Assim, quero salientar, que todas as opiniões expressas sobre o referido museu da Fábrica de Sacavém, foram da minha total responsabilidade, não necessitam de incluir o Luís nos vossos comentários!
    Aliás, lendo-os, só gostaria de saber porque razão descabida iria eu doar as minhas peças, boas ou não (por acaso até o são!), a um museu que guarda o seu espólio e arquivo em sítio onde o público não tem acesso. Será que o museu necessita de aumentar o armazém com coisas doadas?
    Por "que carga de água" iria eu fazer o trabalho de pesquisa de quem está disso encarregado? Mas será que, para além de eu fazer o meu trabalho, o mais competentemente que sei e posso, ainda terei de fazer o dos outros? Só se fosse completamente idiota.
    Muito faz esta pequena "tertúlia" de bloguistas (há mesmo um blog meritório, que muito me apraz ler, que se dedica só à memória dos arquivos da Fábrica de Sacavém - o Luís tem um link para este blog-, e tem sido ele uma das minhas fontes de conhecimento sobre a fábrica que foi uma instituição em Portugal) que, só por "amor à camisola" (que ninguém lhes paga nada, nem sequer lhes agradecem o trabalho efetuado - mas também não o fazem à espera de agradecimento!), vai postando aqui, pacientemente, semana após semana, o resultado das suas pesquisas, na tentativa de encontrar aquilo que não existe, onde, por direito próprio, deveria haver.
    Se incomoda alguém que eu expresse a minha opinião, baseada na minha experiência vivida em visita ao museu, lastimo que assim seja, mas esse é um problema que não é meu, nem tão pouco o irei tornar meu ... o "seu a seu dono".
    No entanto, se o museu tem as portas abertas ao público terá necessariamente de estar preparado para lidar com a crítica e, mediante ela, tentar fazer melhor e encontrar outros caminhos, ou então ... será preferível fechar as portas, pois senti-me enganado (porque paguei o meu ingresso), e extramente gorado nas minhas expetativas, que eram legítimas - afinal, se não existir existir ali a história da Fábrica de Sacavém, onde mais?
    Entendo os problemas da cultura em Portugal, mas não é só na cultura, pois os problemas estendem-se a outros campos. Se, escudando-se nisso, ninguém fizer nada, então ...
    Manel

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  11. Bem, só para terem uma ideia das "forças de bloqueio", enfim parece que não há interesse em que o museu de Sacavém cumpra a sua função principal, divulgar o que foi a fábrica da loiça em Sacavém. Mas isto desde o início praticamente, com direcções desastrosas, inclusivamente uma das últimas em que um casal do aparelho partidário local, sem noção absolutamente de coisa alguma e, muito menos de museus, se sucedeu na direcção do "equipamento cultural", primeiro a senhora, depois o marido... e quase que deram cabo daquilo!!!
    Mas estava eu a falar de "forças de bloqueio" e, realmente os técnicos não estão autorizados sequer a fazer o tal blog, que seria muito interessante, porque conheço alguns deles e têm o seu valor, ideias, vontades de mais qualquer coisa.No entanto, é preciso que seja um "forasteiro" curioso e interessado na matéria a fazê-lo, que esse sim sabe conseguiu a autorização para blogar e, fá-lo muito bem, aliás é a única forma praticamente de sabermos sobre o assunto. Porque das exposições de lá, espremem-se e sai muito pouco! Bem, agora há sempre o argumento da falta de dinheiro! Mas que é uma desilusão, é! Desde o início, que eu passo por lá sempre que sei de uma exposição e a simpatia dos técnicos, não é tudo!

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  12. Caro Anónimo

    Perfilho tudo aquilo que escreveu. Trabalho na cultura e talvez por isso pressenti que qualquer coisa de muito errada se passava naquele espaço fantástico, que não era de todo um museu sobre a loiça de Sacavém.

    Enfim, haja esperança que qualquer coisa se modifique para melhor.

    Abraço solidário

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  13. O blog que vou menciaonar não é meu, mas consulto-o regularmente acerca da louça de sacavém.

    http://mfls.blogs.sapo.pt/

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  14. Caro Polittikus

    Conheço perfeitamente esse blog. Está até na minha lista de links e é a melhor fonte para a história da loiça de Sacavém em toda a internet

    Abraços

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  15. caro Luis,
    comprei uma travessa de cavalinho que me parece ser de muito má qualidade e nem sequer é muito antiga.Esta tem uma marca espampada em azul que representa uma ave com as asas abertas no entanto, não consegui identificar o fabricante. Ficva agradecido se me pudesse ajudar a identificar a marca. Obrigado
    Jorge Figueiredo

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    1. Caro Jorge

      Por favor mande a fotografia da marca e da peça e talvez possa ajuda-lo. O meu endereço de e-mail está indicado no perfil.

      Abraço

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  16. Boa tarde,

    Tenho imensas peças da louça de sacavem...o cavaleiro tauromáquico, cháminés algarvias etc. Gostaria de saber onde as posso vender pois sao peças que estão guardadas e nao lhes o uso....

    Obrigada

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  17. Cara Inês

    O mais sensato é vende-las na internet, em sites como o OLX.pt por exemplo.

    Um abraço

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  18. tenho bue de loiça de sacavem mesmo antiga

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