quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Relógio Waterbury


Este velho relógio estava pendurado na cozinha da casa de Chaves dos meus avós paternos. Embora na altura, estes objectos não fizessem propriamente parte dos meus interesses, era impossível não reparar nele, por causa do baralho das suas badaladas. Sendo já eu da geração em que os relógios de parede e de sala tinham deixado de se usar há muito, o barulho destes mecanismos era qualquer coisa de intimidante para um miúdo com a minha idade. Existia este relógio na cozinha, e um outro, na sala de visitas, muito grande, de madeira escurecida, que eu imaginava sempre que tivesse um cadáver lá dentro. Também é verdade que o meu irmão e eu dormíamos num quarto contíguo à cozinha, onde existia uma fotografia de um bebé, irmão do meu pai, dentro do seu caixão, rodeado de flores, de modo que era fácil ficar sugestionado para os terrores nocturnos, que tinham como música de fundo as badaladas dos relógios.

Creio que este relógio de cozinha era da família do meu avô paterno, portanto veio da casa dos Cunhas.

O relógio foi fabricado pela firma americana Waterbury e por dentro, gravado no mecanismo, tem a seguinte inscrição Waterbury Clock co / pat’d sept 22 / 1874/ 6 ½ in. Portanto será um exemplar dos finais do século XIX.

Na segunda metade do século XIX e princípios do XX os americanos dominaram o mercado mundial dos relógios e invadiram a Europa com os seus produtos baratos, encontrando apenas uma concorrência significativa da parte dos fabricantes alemães. Contudo, a produção de luxo continuou em mãos francesas.

Esta Waterbury nasceu no Connecticut, em 1857 e a partir de 1890, em virtude da sua associação com uma firma de venda por correspondência, a R. H. Ingersoll & Brother, tornou-se o maior fabricante americano, posição que mantive até às vésperas da Primeira Guerra.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a firma foi comprada por um grupo norueguês, construiriam uma nova fábrica, que tomou o nome de United States Time Corporation, rapidamente abreviado para Timex. Em suma, este meu relógio é um antepassado dos modernos e populares Timex.

Há uns tempos, debaixo da supervisão do meu amigo Manel, que tem um fetiche por relógios, o bicho foi todo desmontado e com uma palha de aço muito fininha limpei a madeira da sujidade de muitos anos de pó e de ceras acumuladas e a maquineta ficou esta maravilha que se vê

5 comentários:

  1. Mas ficou bem bonito!
    Ainda recordo a tua cara de susto, até de algum horror misturado com arrependimento, quando viste que o teu lindo relógio, de cada vez que eu lhe mexia, ficava cada vez mais feito de pedaços, e TODOS separados uns dos outros; e tu a pensar (pois, não te atrevias a dizê-lo em voz alta): "Ai! Eu TINHA um relógio, será que ainde tenho?".
    Bem, até que nem ficou mal, depois de liberto de toda a porcaria que tinha em cima e da caixa ter sido toda consolidada e limpa (esta parte foi tua! Coitadinho! tanto trabalho!!!!)
    Também gosto muito dos meus Waterbury!
    Manel

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  2. Bonito relógio e em excelente estado. Boa a casa onde esteve cuja chaminé fumava bem. Tenho um da mesma marca.Sou da zona centro e nos anos 40 apareceu um homem na aldeia a vender relógios em 2ª mão americanos de todos os formatos. O da avó do meu marido, hoje está em minha casa,é tipo "capela" estava em muito mau estado, o meu marido restaurou-o, apesar de ter a corda partida, ainda dá umas horitas.Já na casa dos meus avós maternos na mesma aldeia compraram dois. Actualmente tenho uma colecção de relógios de parede = 5, sendo 2 redondos da reguladora que foram de estações dos CTT

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  3. A madeira do relógio foi toda limpa com uma palha de aço muito fininha, há cerca de dois anos, por essa razão parece em tão bom estado. No passado, esteve bem mais escuro.

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  4. Carissimo entrei no seu blog sem querer e fico maravilhado com o seu conteudo,tenho o vicio de colecionar relógios antigos eos que vim aqui deixaram-me fascinado, tambem as postagens sobre porcelanas ,aliás todo o conteudo considero uma obra didactica, obrigado, vou passando.

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    1. Caro Tretas

      Bem-vindo a este blog e agradeço muito o seu comentário. Tenho um amigo que tem também o vício de colecionar relógios antigos e nas suas duas casas, hora à hora, há uma verdadeira sinfonia, quando todos eles começam a dar as badaladas. Os relógios de parede são hoje objectos quase inúteis, mas muito bonitos e fascinantes. Aliás, quase todas as velharias são inúteis, o que me recorda as palavras que ouvi numa conferência acerca o livro do Gastão Brito e Silva sobre o direito à inutilidade da ruína.

      Um abraço

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