sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Castanheiros de Vinhais: um pouco da eternidade


Por todo o Concelho de Vinhais, distrito de Bragança, abundam castanheiros, enormes, muitíssimos deles mais do que centenários. Não é preciso procurar muito para os encontrar. Os castanheiros rodeiam inevitavelmente as povoações da terra fria transmontana e basta parar o automóvel à entrada e à saída de umas dessas terras para encontrar estas árvores, plantadas por gente, que viveu há trezentos ou quatrocentos anos e que não estava preocupada apenas com o momento presente. Quem as plantou sabia que estava a garantir não só o sustento dos filhos, mas também o alimento de gerações e gerações de vindouros.   

Estas árvores centenárias, que alimentaram com o seu fruto centenas ou milhares de pessoas, que viveram, morreram e estão enterradas nestas terras frias de Vinhais, fazem-nos sempre pensar que a vida humana está muito mais no passado do que no presente. O presente é sempre um momento curto, mesmo, quando a sua plenitude o faz parecer eterno.


Enfim, a frase não é minha, é da Yourcenar, dita numa entrevista a Matthieu Galley, publicada em 2011, pela Relógio de Água, com o título De olhos abertos, mas traduz muito bem os sentimentos despertados por árvores, que viram nascer 12, 20 ou 25 gerações e ainda nos continuam a alimentar neste presente, que se desfaz a cada instante.
 
 

21 comentários:

  1. São fascinantes estas árvores centenárias. Por cá são as alfarrobeiras e as oliveiras. :)

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    1. Luisa

      Obrigado. Acompanho regularmente o blog do Zé Júlio e tenho-me encantado com as árvores centenárias do Algarve que ele tem mostrado. Uma ou outra já tive ocasião de as ver ao vivo.

      Em Trás-os-Montes recordo-me sempre destas árvores centenárias e o ano passado decidi, que sempre que visse uma, a fotografaria. Infelizmente, só vou uma vez por ano ao Norte e com pouco tempo, sempre a correr com a preocupação de levar os filhos ao rio, fazer jantar, almoços e etc.

      Se alguém se desse ao trabalho de fazer um levantamento, estes castanheiros centenários poderiam ser um circuito turístico fascinante, uma coisa com o encanto de uma série qualquer de época, produzida pela BBC e passada no século XIX.

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  2. Lindos os Castanheiros!!! Arvores Belíssimas, e sabendo-os de Vinhais (minha Terra) ainda mais belos são. Um bom final de semana.
    Leonel Ferreira

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    1. Caro Leonel

      Um grande abraço e um bom fim-de-semana

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  3. Adoro!
    A minha melhor amiga comprou para o jardim 3 oliveiras centenárias... Fez o ecletismo perfeito entre os traços super contemporaneos da casa e as oliveiras... ao centro colocou um caminho até a entrada feito de traves centenárias de caminhos de ferro... Fantásticos!!

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    1. Caro Flávio

      Uma árvore centenária é sempre uma mais valia. Fico sempre chocado, quando vejo que as pessoas, antes de construírem uma casa nova, limpam o terreno de toda e qualquer espécie vegetal e depois casa feita, plantam então uns cotos, que vão levar 20 ou 30 anos até ficarem com um tamanho aceitável. O ideal é sempre aproveitar árvores que já existam no terreno, sobretudo se forem árvores antigas. Qualquer casa ganha uma poesia especial se ao se lado crescerem castanheiros, oliveiras, alfarrobeiras ou carvalhos centenários.

      Um abraço e fico contente com o seu regresso

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    2. São lindíssimos os castanheiros!!
      Na zona das minhas raízes familiares (Abrantes e Sardoal) são as oliveiras milenares. Muitas delas surgem a ladear antiquíssimos pedaços de calçadas romanas. Existem também algumas pontes romanas (em muito mau estado, e se calhar já nem se conseguirá aceder-lhes visto as balsas invadirem tudo).
      Mas voltando a esses monumentos vegetais,posso acrescentar-lhe que em tempos tive um professor de História na Faculdade que nos disse que, já escrevia Estrabão, que se um esquilo quisesse poderia passear-se por toda a Península Ibérica sem sequer colocar as patas no chão, tal era a profusão de árvores de grande porte, nomeadamente carvalhos,e castanheiros.
      Só espero que esses exemplares nunca sejam consumidos por algum fogo...

      Abraço

      Alexandra Roldão

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    3. Este primeiro é simplesmente lindo!!

      hei-de pedir foto a minha amiga para lhe mostrar por email!!

      Meu querido amigo, estou de volta e com coisas melhores, segundo me ensinaram por aqui :D dê um salto no trapos :D

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    4. Cara Alexandra

      A floresta tradicional do Norte constituída por carvalhos e castanheiros está muito menos sujeita ao fogo que o eucaliptal e o pinhal. Embora eu não seja biólogo nem agrónomo, creio que a florestação maciça do país com eucaliptos e pinheiros foi verdadeiramente criminosa.

      Um abraço

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    5. Caro Flávio

      Certamente que irei espreitar o seu blog

      um abraço

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  4. Luís,
    Não conheço Vinhais mas os castanheiros são lindos, fazem um bosque maravilhoso. Conheço os da Serra da Lousã, a sua pose, as suas folhas cantam no silêncio que impera na serra.
    As árvores são uma das minhas paixões. Tentei ter em bonsai mas não consegui cuidar delas devidamente. No jardim o cedro, o cipreste e o pinheiro de Natal são as árvores que me fazem companhia. :)
    Na simbologia e na arte elas estão presentes. Do meu livro, "O Livro dos Símbolos", deixo esta citação:
    A alquimia faz da árvore o símbolo central da sua obra, porque a árvore representava a natureza da intensa vida interna e o desenvolvimento que segue as suas própria leis e que pode revelar a «perenidade no interior do indivíduo.» p. 130 edição da Taschen
    Um abraço e agradeço a beleza dos castanheiros.

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    1. Cara Ana

      Obrigado pelo seu comentário oportuno.

      Há de facto toda uma simbologia à volta destas árvores centenárias e não é por acaso que elas são usadas para representar a genealogia de uma família e até mesmo a evolução humana. Num passado mais remoto, as árvores eram adoradas como entidades divinas e hoje experimentamos um sentimento, que é um misto de inferioridade e admiração, perante estes seres vegetais, que ultrapassam em muito a nossa longevidade, que não vai muito para além dos 85 anos e isto é, se tivermos posses para aceder a cuidados médicos especializados. Pelo contrário, as árvores vivem quatrocentos, quinhentos ou seiscentos anos, alimentadas pelas chuvas e pelas suas próprias folhas, que caídas no chão, apodrecem e se transformam em estrume.

      Um abraço e obrigado

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  5. Luís, de novo os centenários castanheiros de Vinhais a inspirarem-no para boas fotografias e texto!
    Por aqui temo-los na Mata do Buçaco, mas nas zonas mais baixas em geral não se dão. Outras árvores majestosas mais típicas da minha zona natal e que muito me atraem são, para além das velhas oliveiras, os pinheiros mansos. Alguns, de tronco grosso e inclinações caprichosas, parecem bonsais gigantes; outros, com o tronco reto e a copa frondosa, lembram-me uma espécie de cogumelos deliciosos, os Macrolepiota Procera, com muitos nomes regionais, que também se encontram nessas terras das suas origens...
    A natureza sempre a trazer-nos maravilhas e deslumbramento!
    Beijos

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    1. Maria Andrade

      Os castanheiros gostam das meias encostas, terras frias, chuvas no Verão e por isso não se dão pelo País todo. Talvez o mais impressionante nas terras frias do distrito de Bragança seja a mancha quase contínua que fazem. Enquanto que os matos são ocupados pelos Carvalhais, à volta de cada aldeia há sempre bosques de castanheiros, que nunca nos deixam de impressionar.

      Bjos

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  6. Linda a foto da primeira árvore! O texto, escrito com muita sensibilidade, também me "tocou". Muito obrigada.
    Em Sintra, existe também um castanheiro centenário, declarada árvore de interesse público desde 1945, que conta mais de 500 anos, do tempo dos Descobrimentos, portanto. Fica no chamado Caminho dos Frades, abaixo da Quinta da Regaleira.
    (http://tudodenovoaocidente.blogs.sapo.pt/12840.htm)
    Cumprimentos.
    emília reis

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  7. Há em Manteigas, Serra da Estrela um local designado precisamente por Carvalhais, com centenas, quiçá milhares de árvores iguais ou ainda mais velhas que as da foto.
    É um sitio lindíssimo vocacionado exclusivamente para a produção de castanha e que eu, miúdo nos meus dez anos, comecei a frequentar a pé para apanha do fruto.Como dista da vila alguns quilómetros demorava um dia na ida e volta.
    Para os entendidos desta matéria, ou pelo menos interessados, é um local muitíssimo interessante digno de ser visitado e estudado.

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  8. Cara Emília Reis

    Muito obrigado pela indicação da existência desse castanheiro. Sintra de facto tem um clima excepcional que que permite a aclimatação de espécies de zonas frias.

    Um abraço

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  9. Caro Anónimo.

    No meio do eucaliptal em que a paisagem portuguesa foi transformada, é reconfortante saber que ainda existem estas manchas de árvores antigas aqui e acolá. Para mim e julgo que para muitas pessoas, uma árvore centenária ou milenar tem tanto valor patrimonial para uma comunidade como uma igreja barroca ou uma pintura guardada num museu.

    Um abraço

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  10. Bem, a minha irmã bem tentou plantar castanheiros nas terras onde se situa a casa de família, lá para os lados de Pombal, debalde, pois cresceram raquíticos, envergonhados, sem porte, com fruto a evitar cuidadosamente.
    Mas, afinal, trata-se de terrenos baixos, quentes, solos argilosos ou calcários e efetivamente não se lhe pode pedir muito mais. Ao invés, as nogueiras são rainhas, crescem de forma majestosa, com troncos nodosos, frondosas, donas de uma sombra de invejar, e que, a par de uma quantidade de variedades de quercus (diversos tipos de carvalhos e azinheiras), constituiram o meu horizonte durante todo o período de jovem adulto que ali vivi, pois, em Moçambique, a história era outra.
    Fiquei a admirar profundamente estas espécies, sobretudo os carvalhos (e tenho pena de referir que o meu pai foi o culpado do derrube de um, várias vezes secular, de uma beleza fulgurante e um tio meu deu cabo de muitas e várias árvores majestosas, como aliás era hábito aquando da aquisição de qualquer pedaço de propriedade como se, com aqueles abates, se fizessem mais donos da terra!).
    Mas igualmente fizeram o meu imaginário as filas de ciprestes que caraterizam completamente a paisagem da Itália central e algumas partes do Alentejo. A minha mãe considerava-a árvore de mau agoiro, habituada que estava a associá-la aos cemitérios, mas estas espécies são de uma beleza pungente, e até poética, sobretudo quando observadas em noites de forte luar.
    E, da terra da minha família, não posso esquecer igualmente outra espécie, ainda que mais comezinha, mas que me fascina, o vidoeiro, árvore que me parece sempre vetusta, e, lembrei-me agora, os bosques de choupos, com as folhas esbranquiçadas na sua face inferior, que, ao vento, parecem fulgir, como se de prata.
    Tenho sempre pavor que o fogo algum dia consuma toda esta riqueza vegetal, pois as árvores têm a longevidade a seu favor, mas, infelizmente, não podem fugir!
    Manel

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  11. Caro Luis
    Muitos parabéns por este fantástico blogue.
    Deixo aqui o endereço http://www.cm-loures.pt/noticia.aspx?displayid=1005#topo para ver a árvore mais antiga de Portugal.É muito interessante e também a localidade onde se encontra.Pirescoxe tem um Castelo que praticamente é desconhecido,toda esta zona é muito rica em história dos n/antepassados.Podem ver mais detalhes no site da Junta de Freguesia www.jf-santairiadeazoia.pt
    Aqui fica a sugestão para um fim de semana.Espero que gostem!
    Pilar

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  12. Cara Pilar

    Muito obrigado pela sua indicação. Adorei as imagens da oliveira milenar e fiquei muito satisfeito por saber que foi classificada "Árvore de Interesse Público”. Estas espécies vegetais são autênticos monumentos vivos, que devemos venerar e respeitar como se fossem um templo romano ou a Custódia de Belém.

    Um abraço e mais uma vez obrigado pelo link.

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