domingo, 5 de abril de 2015

Um combatente nas guerras da Restauração: Francisco Fernandes Montalvão (1635-1715)


Recentemente, andei a tratar de compilar elementos sobre o solar dos Montalvões, para que este constasse na base de dados sobre património arquitectónico, monumentos.pt. Quando enviei os dados sobre o brasão que está na casa, uma das técnicas, que faz a gestão da base chamou-me a atenção para o facto de que estava errada a leitura tradicional da pedra de armas, que afirmava que de um lado estavam representados os ferreira e do outro lado os álvares. Se com efeito, no lado direito, estão as riscas horizontais dos ferreiras (eu ainda sou Ferreira Montalvão), do lado esquerdo encontram-se oito besantes, com aquilo que parecem ser cruzes de Cristo e de que afinal não sabemos que a família pertencem.

Os Ferreira de um lado com as 4 tiras horizontais e do outro lado 8 besantes ou escudetes com cruzes de Cristo, armas  família não consigo identificar.
Consultei alguns manuais de heráldica e as armas mais parecidas com aqueles oito escudetes ou besantes correspondem a nomes que nunca cruzaram os seus destinos com os da família Montalvão. Segundo o livro de genealogia Os Montalvões, escrita por J. T. Montalvão Machado, em 1948, os membros desta família casaram ao longo dos séculos XVII e XVIII com Morais, Morais Sarmento, Campilhos, Castros, Coelhos, ou os Álvares Ferreira.

Face a este mistério e muito embora uma boa parte do chamado cartório da nobreza tivesse ardido com o terramoto, resolvi partir à consulta das fontes, na esperança de encontrar qualquer referência, ainda que indirecta a pedras de armas da família, que me permitisse resolver este mistério.

Como hoje em dia a maioria dos arquivos, tem os seus fundos inventariados on-line, comecei por pesquisar na Torre do Tombo, por Montalvão, tendo o cuidado de pôr de parte tudo o que disse-se respeito aos marqueses de Montalvão, que são da família Mascarenhas, à vila de Montalvão, no Alentejo, ou a documentação dos séculos XIX e XX, já que o brasão parece-me coisa do Século XVIII e de facto encontrei alguns resultados pertinentes no registo geral das Mercês.


No livro 13, fólio 31, nas Mercês de D. Pedro, encontrei uma referência ao meu nono avô, Francisco Fernandes Montalvão, um senhor do qual não sabia mais nada, além de que que viveu entre 1635 e 1715 e era filho do primeiro Montalvão, que se instalou em Portugal, vindo da vizinha Galiza, um Joseph Montalban. Sempre imaginei que este Francisco Fernandes Montalvão fosse um proprietário rural, abastado, com uma existência banal e pacata, dedicando os seus tempos à criação de vacas, ora contando os alqueires de centeio ou ainda correndo atrás das criadas. Com efeito, pela leitura do documento, acabo por perceber que este homem foi um combatente das guerras da restauração, que percorreu todos os teatros de operações do conflito luso-espanhol, do Minho ao Alentejo e de Trás-os-Montes à Beira. Teve uma vida cheia de aventuras e ter-se-à portado com heroísmo nestes combates, de outra forma o Rei D. Pedro não lhe teria concedido uma pensão em dinheiro e o hábito da Ordem de Cristo, ao seu filho Francisco de Montalvão Coelho, meu oitavo avô.

O meu nono avô era capitão da ordenança do lugar da Vila de Frades, aldeia do Concelho de Chaves, junto à fronteira e entre 1660 e 1695 governou uma companhia em Mairos, outra aldeia a Norte de Chaves, também junto à fronteira espanhola. Muito embora o vale de Chaves, tenha sido uma das entradas tradicionais dos exércitos invasores de Portugal (a segunda invasão francesa passou a fronteira pelo vale de Chaves) o principal teatro de operações das Guerras da Restauração foi o Alentejo. Assim a Beira, Trás-os-Montes e Entre-Douro-e-Minho tinham exércitos provinciais mais reduzidos do que o Alentejo e esses contingentes eram deslocados muitas vezes para socorrer uma província ou outra, sobretudo a fronteira Alentejana, onde os combates eram quase sempre duríssimos. Em suma, o meu antepassado fez parte desses contingentes móveis, que foram sendo destacados do Norte a Sul do País, cada vez que o inimigo exercia pressão sobre um ponto qualquer de uma fronteira, que se estendia por mais de 1200 km

Assim, no ano de 1663 o meu nono Avô, Francisco Fernandes Montalvão, saiu de Trás-os-Montes e marchou para a ribeira do Caia, a Norte de Elvas onde se tinha desencadeado uma ofensiva inimiga terrível. Os espanhóis, romperam as linhas de Elvas, tomaram Évora e chegaram até Alcácer do Sal. Esta expedição só terminou com a sua derrota espanhola na Batalha do Ameixial.


Porem, o meu avô, não parou por aí. Nesse mesmo ano regressou a Trás-os-Montes e participou na campanha de Vilarelho na entrada que fez em Galliza, sem dúvida umas muitas incursões portuguesas ordenadas pelo Conde de S. João, governador das armas da província de Trás-os-Montes, que consistiam na pilhagem e saque das terras galegas na fronteira. Ainda em 1663, o meu antepassado passou à Beira na defença de hum comboy de mantimentos que hia pera o nosso exercito em que derrotou o inimigo com morte de 4 capitães de cavallos , muitos officiais e mays de 250 soldados"

Em 1664, Francisco Fernandes Montalvão foi destacado para o Minho onde foi um dos muitos homens que ajudou a recuperar o castelo de Lindoso, terra minhota tomada pelos Espanhóis em 1662, sob o comando do General Pantoja. Ainda em 1664, o meu avô marchou em socorro do Alentejo onde "se achou no Rendimento de Alcântara", praça forte na Estremadura espanhola, que os portugueses conquistaram.


Em 1665, o meu antepassado atravessou novamente o País inteiro em direcção ao Minho e juntamente com outros portugueses, atravessam o rio que divide Portugal e Espanha e conquistaram vila galega de La Guardia, que se tornou portuguesa por três anos. E no mesmo anno passar a Alentejo e assistir na batalha de Monte Claros masandose he nella o cavallo em que o hia montado e sahio ferido. Portanto, o meu antepassado, combateu e foi ferido numa das maiores batalhas de sempre da história portuguesa, Montes Claros, a 17 de Julho de 1665, acontecimento que pôs um fim definitivo às pretensões espanholas sobre Portugal, aliás três anos mais tarde Portugal e Espanha selaram uma paz definitiva.

Voltou ainda para Trás-os-Montes, onde se achou  no encontro que houve com 5 tropas de cavallos inimigas que foram postas em fugida com morte de muitos e outros prezioneiros.

Foram estes os principais feitos deste meu antepassado narrados no fólio 31, livro 13 das Mercês de D. Pedro, que combateu no último período das guerras da Restauração e que foi também o mais encarniçado e violento, já que a partir de 1659, depois de debelada a insurreição da Catalunha, os espanhóis ficaram com as mãos livres para atacar Portugal. O percurso de Francisco Fernandes Montalvão de Norte a Sul do País, constitui também um bom exemplo das características militares da restauração, que foi sobretudo uma guerra de posições, intercalada com uma outra ofensiva espanhola. Normalmente, a coisa passava-se da seguinte forma, os espanhóis iam pôr cerco a Elvas e os portugueses ripostavam, tomando Valência de Alcântara. Os Espanhóis atacavam Valença do Minho e o nossos pilhavam e incendiavam aldeias galegas em frente à Bragança ou Chaves.

Não descobri nada acerca se este Francisco Fernandes Montalvão, ou seu Filho, Francisco de Montalvão Coelho, pediram cartas de armas em virtude destes feitos, mas mais muito significativo que a questão heráldica, foi recuperar a memória deste meu avô, de que a genealogia reteve apenas das datas de nascimento e morte e do qual sinto orgulho, pois foi um dos muito heróis anónimos, que permitiram a Portugal vencer uma guerra de 28 anos, contra uma das maiores potências europeias de então, a Espanha. 

Alguns links úteis:



15 comentários:

  1. Caro Luís,

    Nada melhor, que passada a quadra Pascal, do que ler as aventuras deste seu nono avô!! Simplesmente fiquei fã dessa personagem, e também lhe digo que adoraria ter estado no seu lugar descobrindo tantos dados novos acerca desse seu antepassado. A genealogia é uma aventura constante,assim como o foi a vida do seu familiar. Isso é que eram homens com "H".
    Imagino como seriam difíceis essas deslocações, o tempo que demorariam, os perigos a que se sujeitavam por esses caminhos (quando os havia).
    Ainda bem que existe essa dúvida sobre as pedras de armas,porque se tal não tivesse sucedido, permaneceriam no anonimato a vida e todas as façanhas do seu antepassado. E quiçá, com tempo, poderá descobrir muito mais! Acaso sabe quem era a mãe?E quem foi a esposa desse senhor? Com quem casou o filho?
    Enfim,quantas e quantas histórias não estarão ainda por contar..

    Um grande abraço

    Alexandra Roldão

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  2. Luís

    É estimulante ir seguindo o fio de Ariadna que nos conduz a descobertas, neste caso o levantar do véu sobre um avô, bem recuado no tempo e que viveu numa época de guerras com Espanha.
    Também gosto de genealogia, mas não consegui recuar tanto no tempo.Cheguei aos inícios do século XVIII mas falta tempo e disponibilidade para ir para o Arquivo de Bragança fazer alguma pesquisa.
    Um abraço
    if

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    1. Ivete

      Estas pequenas descobertas dão-nos sempre um enorme prazer. São como trazer a vida aquilo que já morreu há muito.

      Hoje em dia estas tarefas de pesquisa de fontes de história familiar estão muito facilitadas pois os arquivos tem os seus catálogos on-line e tenho pedido muita coisa pelo correio. Os paroquiais estão todos digitalizados e se fizer no Google "DIGITARQ Bragança" vai ter imediatamente à base do Arquivo Distrital de Bragança onde pode consultar as cópias digitais dos registos. O problema é que alguns dos livros estão no arquivo diocesano de Bragança e esses não estão acessíveis.

      Um abraço

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  3. Alexandra

    De facto a vida deste meu antepassado tem qualquer coisa de admirável. A maioria das pessoas naquele tempo não viajavam e viviam toda a sua existência num espaço geográfico limitado entre a sua paróquia e as paróquias vizinhas e quanto muito deslocavam-se à do sede do Concelho ou uma ou outra vila nas proximidades, para comprar, vender numa feira ou escolher uma noiva. Este Francisco Fernandes Montalvão percorreu a cavalo todo o País em dois ou três anos e sabe-se lá porque estradas. Participou num dos conflitos mais duros da história portuguesa e creio que temos devemos a este homem e a todos os combatentes da Restauração a nossa soberania. Talvez possa parecer "patrioteiro", numa época em que isso não está na moda, mas admiro imenso o enorme esforço feitos pelos portugueses entre 1640 e 1668 para manter a independência.

    Conheço os antepassados e os descendentes de Francisco Fernandes Montalvão bem como alguma mais alguma coisa sobre ele, de que aqui não referi para não tornar o texto demasiado grande e de leitura enfadonha. Era morgado de Vila Frade, casou com uma Maria Coelho, o seu primogénito foi o Francisco de Montalvão Coelho, também capitão de cavalos e morgado da mesma terra. O seu neto primogénito foi Francisco de Montalvão Morais, que casou com Caetana Maria da Rosa Pinto de Morais Sarmento e também era capitão de cavalos. A filha deste último casal, casa também com um capital de Cavalos, morgado de Outeiro Seco, Miguel Álvares Ferreira, em 1746 e temos então a partir dessa data a família Montalvão em Outeiro Seco. Até lá tinha vivido numa aldeia vizinha, Vila Frade.

    Todos estes homens são capitães de cavalos, morgados e tendem a casar com gente da mesma condição.

    Mas, esse assunto será para outro post.

    Bjos

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  4. Caro Luís,

    Não sei se irá ajudar, mas depois de olhar com redobrada atenção para a fotografia do brasão cheguei à conclusão de que aquilo que o Luís apelidou de cruzes de Cristo, se me afiguram ser cruzes Templárias...
    Terá existido em tempos alguma ligação aos Templários??

    Segue o link com os respectivos desenhos das cruzes:
    http://es.wikipedia.org/wiki/Cruz_(her%C3%A1ldica)

    Beijinho

    Alexandra Roldão

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    1. Alexandra

      Designei estes escudetes com contendo as cruzes de Cristo sem ter a certeza de que realmente são isso. Inscrevi-me no fórum do geneall.net e um dos participantes, Carlos Fontes descreveu estes escudetes como contendo oito cruzes florelizadas. Não consigo ter ainda uma opinião segura sobre estas armas.

      Aparentemente parecem as armas dos Moreiras, família da Beira, com a qual não há relações familiares. Também poderá haver uma confusão outra família da Beira, Montalvo Coelho e ainda há um especialista em heráldica, Carlos Macieira Ary dos Santos, que escreveu sobre este brasão, afirmando que aqui um equívoco com a família Alte, do Alentejo. Enfim, uma floresta de enganos, tudo à volta das corruptelas feitas com o nome apelido Montalvão, embora eu tenha uma intuição de que estas sejam realmente as armas dos Montalvões. Em todo o caso, tenho descobrir documentos sobre esse assunto ou tornar-me doutor em heráldica, assunto do qual sou um ignorante.

      Bjos

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    2. Caro Luís,

      Vi com muito interesse o seu blogue.

      Em particular, tendo investigado diria exaustivamente os Montalvos, a menção esta família Montalvo Coelho da Beira deixou-me muito intrigado. Seria possível fornecer-me informações sobre esta família?

      Obrigado,

      Com os melhores cumprimentos,

      Alexandre de Mendonça

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  5. Que descoberta fantástica, Luís! Trouxe assim para a atualidade e para o conhecimento da família e de todos nós a vida de um antepassado de que só conheciam o nome. E que vida empenhada e movimentada teve este Francisco Fernandes Montalvão, um herói da Guerra da Restauração que afinal não ficou anónimo!
    Não haja dúvida que temos hoje meios que nos permitem avançar muito nestas pesquisas de genealogia. Aqui o Arquivo da Universidade de Coimbra tem o programa Archeevo que disponibiliza on line todos os registos de batismo, casamento e óbito do distrito e também por lá já andei à procura de nomes de família. Só que não é fácil avançar, é uma verdadeira teia de nomes - há nomes que se repetem na mesma família, por vezes há troca de nomes, encontram-se páginas ilegíveis, enfim, é necessária muita prática e muita persistência para recuar para além do século XIX.
    Por isso é que eu, tal como a Alexandra Roldão, fico tão deslumbrada com os seus sucessos nestas pesquisas. E já vejo que vai continuar...
    (também fiquei a pensar naqueles escudetes com as cruzes, mas não percebo nada de heráldica; oxalá o link que a Alexandra deixou permita saber mais alguma coisa...)
    Beijos

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    1. Maria Andrade

      Não há dúvida que os arquivos portugueses deram um salto qualitativo gigantesco e permitem ao cidadão comum fazer algumas pesquisas a partir da sua casa. Acho que o trabalho desenvolvido pelos arquivos é altamente meritório e contribui para a democratização da cultura.

      Estes documentos que consultei não estão digitalizados, mas encontrei-os na base de dados e pedi cópias.

      Tenho a sorte de a genealogia da família Montalvão já estar feita e publicada, de modo que estou mais ou menos á procura dos traços que os seus membros nos séculos XVII e XVIII deixaram nos registos da administração, de modo a encontrar qualquer pista sobre que armas realmente representam o lado direito do brasão.

      Também já tenho comigo cópias de inquirições de génere, que pedi ao Arquivo Distrital de Braga de uns bisnetos deste Francisco Fernandes Montalvão. Essas inquirições eram basicamente certificados de limpeza de sangue, com informações sobre os antepassados dos requerentes, para as pessoas se poderem habilitar a desempenhar cargos públicos ou eclesiásticos, mas ainda não consegui arranjar coragem de ler e transcrever aqueles processos, escritos numa letra levada dos diabos. lol

      Bjos

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  6. Boa noite, Luís,
    Gostei muito de ler esta aventura histórica do seu nono avô. As Guerras da Restauração foram tempos tão difíceis. Li várias histórias de caso, nesta época, ligadas a processos inquisitoriais, nomeadamente, ao delito de blasfémia, despoletados pelas condições duríssimas a que o povo português foi sujeito.

    Deixo uma obra bibliográfica muito boa para consulta para além das fontes primárias.

    NORTON, Manuel Artur – A heráldica em Portugal. Lisboa: DisLivro Histórica, 2004. Vol. 1: “Raízes, simbologias e expressões histórico-culturais”; e Vol. 2: “O armorial português de família e copiadores desaparecidos do cartório da nobreza”, pp. 555-570.

    Apaguei o anterior comentário por causa de uma gralha.
    Um abraço e boas pesquisas.

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    1. Cara Ana

      Muito obrigado pela referência bibliográfica. De facto, tenho um problema muito grande pois conheço muito mal as regras e princípios da heráldica.

      Também sei que há especialistas nesta disciplina que tem tentado reconstituir através de arquivos família e outras fontes a informação perdida no cartório da nobreza e talvez essa obra me possa ajudar. Irei tentar encomendar cópias em alguma biblioteca que tenha a obra, já que não tenho horário para consultar outras bibliotecas além da minha.

      Continuarei aqui a publicar mais resultados das minhas pesquisas.

      Um abraço e obrigado

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  7. Foi realmente uma façanha teres conseguido transformar um documento que, devo reconhecer, era enfadonho, num texto agradável de ler e que te vai fazendo descobrir nas brumas da nossa história, dados importantes sobre os teus antepassados.
    Sempre é uma forma de os tornar mais reais, sem que sejam simplesmente, como é usual, uma data de nascimento e outra de morte, entre parênteses curvos, seguido do nome da consorte (algumas vezes sem sorte) e terminando na progenitura.
    Fica-se com a sensação que a pessoa está só esboçada de forma incompleta e pouco satisfatória, sobretudo para quem é da família (para os outros tanto dá).
    A razão para caraterizar o texto original de enfadonho, ainda que descreva as façanhas de um homem cheio de força e, julgo, dedicado ao seu país de adoção, pois sei que tinha as raízes em Espanha, deve-se ao facto da escrita destes documentos de tempos idos, utilizar fórmulas legais algo difíceis de entender nos dias de hoje (sei que é uma questão de nos familiarizarmos com este tipo de documento e o resto é sempre tudo igual, mas eu sou um leigo), e o léxico utilizado, consentâneo com o uso na época, não é igualmente de todo fácil.
    Mas ainda te resta muita leitura ... lol
    Manel

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  8. Manel

    Uma das coisas curiosas neste percurso de combatente das guerras da restauração de Francisco Fernandes Montalvão é que o seu pai era para todos os efeitos espanhol, nascido e criado na vizinha Galiza e súbito de Sua Majestade Católica. O próprio Francisco Fernandes Montalvão nasceu no tempo em que as coroas de Portugal e Espanha estavam sobre a cabeça de um dos Filipes. E no entanto, apesar destes antecedentes suspeitos, o meu nono avô será um combatente activo pelo lado português nestas guerras da restauração. Tudo isto nos leva a pensar que os conceitos de patriotismo e nacionalismo não seriam exactamente iguais aos nossos. Talvez tivessem mais a ver com fidelidades ainda feudais ou talvez ainda o seu pai, como galego que era, o tivesse ensinado a desconfiar do centralismo de Castela, enfim, quem sabe. Como tu escreveste temos um retrato muito fragmentado deste homem para fazermos suposições acerca da origem das suas motivações patrióticas.

    Estes textos são aborrecidos de ler, pois além da letra difícil, falta de pontuação e das abreviaturas, estão escritos no português dos documentos oficiais. Daqui a duzentos anos, quem for ler o nosso Diário da República, também vai ter vómitos com a linguagem nele contida, o chamado "oficialês".

    Tu deste-me uma boa ajuda na leitura e transcrição deste documento. Depois, copiei o documento para outro documento word, fiz-lhe parágrafos para lhe entender o sentido e fui fazendo anotações para relacionar os locais referidos no documento com as várias batalhas, cercos de praças fortificadas e escaramuças da Restauração.

    Um abraço

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  9. Só para alertar que o nome do site "monumentos.pt" está mal escrito! :P

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    1. Caro Vladek

      Muito obrigado pelo reparo. Sou muito dado a gralhas e apesar de ver e rever os textos, escapa sempre alguma.

      Um abraço

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