segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Açucareiro da Vista Alegre do último quartel do Século XIX.




Não há nada como ver belas antiguidades para esquecer o governo, o FMI e a Troika e outra gente, que não convidamos de todo para nossa casa, mas que insistem em aparecer inoportunamente, à hora do jantar, através da Televisão, aquele electrodoméstico, que faz barulho lá ao fundo da sala.



Por isso conversei com o meu amigo Manel, que concordou em deixar-me fotografar um açucareiro seu, em porcelana da Vista Alegre e mostra-lo aqui para levantar os espíritos, com a simples visão de bom exemplar de um dos períodos mais felizes da produção da Vista Alegre, a segunda metade do Século XIX. Segundo o Dicionário de marcas de Faiança e porcelana portuguesas de Filomena Simas e Sónia Isidro e o catálogo da exposição Vista Alegre: porcelana portuguesa: testemunho da história. Lisboa: Estar Editora, 1998 a marquinha apresentada será talvez do último quartel do Século XIX




É um açucareiro decorado com muita sobriedade e sem qualquer afectação, com um formato, que a vista Alegre usou bastante no Século XIX. Embora com uma decoração floral, tenho um bule com esta forma. Mas, foi vítima dos tremeliques de alguma tia velha ou de uma criada trapalhona e perdeu a pega da tampa. Se um dia me decidir restaura-lo, já sei que modelo de pega devo mandar reproduzir.


O a forma do meu bule é da mesma família que o açucareiro do Manel


Espero que o açucareiro, os damascos e os bons tecidos que lhe sevem de fundo, tenham introduzido uma nota de bom gosto nestes dias de chumbo, que se abateram sobre nós
O açucareiro cuja imagem o Manuel concordou partilhar

10 comentários:

  1. è uma belíssima peça e um deleite para a vista!
    Quer o açucareiro quer o seu bule e o cenário composto para a foto condiz na perfeição.
    Concordo que estas fotos nos estimulam muito mais do que sa notícias dos mass media!!!
    Uma boa semana de trabalho!
    Ana Silva

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  2. A Vista Alegre produziu peças de formato pouco conhecido, ou pelo menos, eu não o conhecia até ter deparado com esta, e que têm um encanto muito particular, com um trabalho a fazer lembrar o da prata (pelo menos as asas).
    Neste caso a forma das asas é algo rocaille, mas a decoração é o mais simplificada possível, sem ser inexistente (o princípio do "less is more").
    Um rabisco ou uma florinha a mais seria mesmo demais!
    A elegância e a leveza a contrapor-se ao período grotesco, brutal e num burlesco sem sentido, que este país vai vivendo, sem que nós, meros mortais, que fomos vivendo do nosso trabalho diário, tivesse culpa (ou mesmo se apercebesse) dos desmandos corruptos, venais a que a classe política, poderes afins, não esquecendo os sabujos satélites arrivistas dos gestores e demais potentados, se dedicaram durante os vários anos em que todos parecíamos felizes com os milhões que Bruxelas colocava sobre nós.
    Foram, e continuam a sê-lo ainda para muitos, sempre e ainda em demasia, as mansões palacianas, os carros de luxo, as viagens mirabolantes, os gastos desmedidos, os compadrios, as ligações económicas que nascem e se desenvolvem "por debaixo da mesa" e que depois surgem como cogumelos perniciosos, quais "fundações", e claro, tudo alimentado sempre pelos mesmos ... não admira, pois, que se continue a acarinhar a ideia, a incentivá-la mesmo, que devemos continuar a ser sujeitos à mais severa austeridade e contenção económica, pois urge alimentar os outros, que, coitadinhos, estão à míngua de milhões! Devemos pagar aquilo que não usámos, ganhámos ou comprámos!
    A que levou um mísero açucareiro!
    Manel

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  3. Cara Ana Silva

    Também lhe desejo uma boa semana de trabalho. A arte e a cultura tem sempre a capacidade de regenerar o espírito.

    Abraços

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  4. Manel

    Embora todos tenhamos a consciência que é preciso reduzir os gastos do País, também sabemos que a crise não está a ser paga de igual forma por todos.

    Nos últimos tempos tenho encontrado nos catálogos das leiloeiras várias peças de serviços de chá e café com formatos desta família, nomeadamente bules, leiteiras, açucareiros e cafeteiras, mas nenhum com esta decoração tão simples e distinta.

    Quem sabes se não consegues encontrar mais peças deste serviço.

    Abraços

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  5. Luís! Perdi o cometário duas vezes:)
    Mas dizia-lhe que concordo consigo e que quando contemplamos coisas belas de que gostamos e vamos tecendo sonhos como por exemplo comprar ou não comprar ou onde ficará melhor, conseguimos atenuar a carga negativa destes dias, em que a ameaça da falta de perspetivas é uma constante.
    O bule com a sua decoração simples da risca verde é uma elegância.Um obrigada ao Manel pela partilha.
    Abraços para si e espero não falhar desta lol

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  6. Maria Paula

    O comentário chegou são e salvo!!!!

    De facto, montei estas várias encenações ao o açucareiro para dar neste blog um momento de de elegãncia numa altura tão triste. Por vezes a frivolidade, pode ser uma forma de afirmar que estamos cá ainda e não nos deixámos derrotar.

    Aos poucos vou-me apercebendo que se fotografar uma peça sem mais nada consigo apenas um resultado fraquinho. A beleza da peça tem que depender também da fotografia e da encenação que se monta.

    bjos e obrigado pelo seu simpático comentário

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  7. Luis
    Belissimas peças e igual cenário teatral
    Mas como tem jeito em embelezar umas peças tão amorosas
    Um dia vou mandar para o seu mail,umas tantas fotos de loiças que tenho muito antigas
    Um abraço para si e para o Manel :)

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  8. Muito obrigado Grazianni

    ´
    Fico contente por ter gostado. Um grande abraço para si

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  9. Tem toda a razão, Luís! A beleza, o bom gosto... e o bom humor, são o melhor remédio para nos fazer desviar as atenções deste verdadeiro pântano de areias movediças onde caímos... ou onde nos fizeram cair...
    Quanto ao açucareiro do Manel, foi uma boa escolha sua, aquelas asas são um mimo, embora no meio dos tesouros que acredito povoam a casa dele, haja certamente muitas possibilidades :).
    Eu tenho um bule ou cafeteira VA todo em branco deste formato, mas lá está, falta-lhe aquele pormenor das asas e os filetes simples a dar tanta graça ao açucareiro.
    Obrigada aos dois por mais este lavar dos olhos e da alma...
    Abraços

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  10. Maria Andrade

    De facto, a simplicidade da decoração desta peça confere-lhe uma graça enorme.

    O Manuel gosta muita de faiança e porcelana portuguesas, mas também de loiça chinesa e japonesa e dessas entendo eu pouco, embora as admire ao longe. Julgo que as pessoas que andaram por África ficaram todas com um gosto acentuado pela arte oriental.

    Beijos e obrigado

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