segunda-feira, 2 de maio de 2011

Faianças Ratinho cheias de poesia

Esta semana, a nossa primeira seguidora misteriosa (onde andará a segunda?), resolveu presentear-nos com um paliativo para a crise, composto com uma série de pratos ratinhos invulgares.

Como sabem as formas dos Ratinhos são pouco diversificadas. A maioria das faianças manufacturadas por estes artificies coimbrões são grandes pratos e as palanganas. Peças como o púcaro para servir vinho, que já apresentámos anteriormente, ou uma bacia de barba como esta que a nossa seguidora nos mostra hoje são muito mais raras e por isso tem um interesse acrescido.

Tardoz da bacia de barba

Mas a seguidora misteriosa não ficou por aqui em nos surpreender com boas peças. Enviou-me também por e-mail a fotografia de outro prato, que escapa à tradicional divisão por temas dos ratinhos em zoomórficos, vegetalistas e geométricos e humanos, pois é uma paisagem de arquitectura.


Este motivo decorativo que ficou conhecido por País, é muito vulgar nas outras faianças portuguesas, mas  nunca o tinha viso num prato com as características de Ratinho.


Last but not least, a nossa seguidora enviou-nos um terceiro Ratinho, que me parece dos mais antigos, talvez seja mesmo dos finais do Século XVIII, muito embora as obras de carácter ingénuo nos pareçam ser mais antigas do que aquilo que realmente são, como Ernesto de Sousa escrevia.


Este prato com um passarinho no centro é muitíssimo semelhante a um azulejo de figura avulsa, tal como outro prato, que a segunda seguidora misteriosa apresentou anteriormente.


Nestes tempos em que tudo o que nos rodeia é desagradável, talvez o passarinho represente as coisas melhores de Portugal, a sua cultura e a sua arte, que produziram coisas tão geniais como uma azulejaria verdadeiramente única.

Painel de azulejos com figura avulsa no centro

6 comentários:

  1. Olá Luís
    Excelente post.Tema que particularmente me fascina, a faiança ratinha de Coimbra.
    Atrevo-me a dividir os parabéns com a seguidora misteriosa que de quando em vez nos contempla e faz roer de inveja com tais preciosidades. Adorei, simplesmente, tal rara beleza....explico, apressadamente por estes dias corre o meu aniversário, e sem dúvidas considero este post uma das minhas mais soberbas prendas.
    Sinto um júbilo imensurável. Até estremeci, pela primeira vez vi peças que jamais acreditava existirem... só possível apreciar em museus e mesmo assim...

    Muito bom gosto e feeling desta seguidora misteriosa, tantas vezes aqui dito, curioso, continua a fascinar, admiro a sua personalidade,fez-se aparecer, desaparece por uns tempos, volta e surpreende sempre mais e mais. Uma mulher fascinante.

    Bem haja por ser o motor de tão belas amostragens de faiança portuguesa.
    Beijos
    Isabel

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  2. Não haja dúvida q os Ratinhos formam um núcleo encantador na faiança portuguesa.
    Apesar de geralmente serem reconhecíveis, principalmente os q apresentam aquele belíssimo tom de verde, apresentam uma diversidade de q, mais uma vez, se dá aqui prova.
    Graças às suas duas seguidoras misteriosas, admiráveis colecionadoras, e aos seus excelentes posts,temos aqui tido uma boa amostragem destas faianças.
    Neste caso, os meus agradecimentos e parabéns à sua primeira seguidora.
    Não posso deixar de referir a beleza do painel azulejar com q nos contemplou.
    Tem toda a razão, Luís, as nossas artes decorativas e, notavelmente, a azulejaria só podem é deixar-nos cheios de orgulho e, contra ventos e marés, um pouco mais crentes no engenho e arte dos portugueses.
    Um abraço

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  3. Reparo que da bacia degolada já conheço um exemplar algo semelhante no arranjo decorativo: um prato teu em tudo parecido. Terás de o mostrar aqui.
    Todas as peças são, de resto, interessantes, mas a mais curiosa é de longe a que representa a ave, à qual foi adicionado um ramo ao bico para que a composição se adeque melhor ao formato do covo do prato.
    Aliás, este ramo que a ave segura no bico reporta, ou pelo menos assim o associei, para a lenda bíblica da saga da arca de Noé, quando a ave é libertada e regressa com um ramo de oliveira no bico, sinal da existência inequívoca de "terra firma".
    E também creio que foste muito feliz na aproximação que fizeste da figura zoomórfica ao desenho similar do azulejo de figura avulsa.
    Até o próprio ramo por baixo da ave tem algo de semelhante a um outro motivo da figura avulsa (que paixão nutro pelo azulejo de figura avulsa!!!!!).
    Agradecimento à senhora que, de tão bom grado, partilha estas obras connosco
    Manel

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  4. Caros Amigos

    Desculpem-me responder-vos em conjunto, mas como sabem, desde que mudei de emprego tenho menos tempo e nem sempre posso responder logo aos vossos sempre simpáticos comentários

    Em primeiro lugar, parabéns à Maria Isabel e ainda bem que a contemplação dos ratinhos a deixaram mais feliz. E daqui passo para a resposta à Maria Andrade.

    A arte tem um poder regenerador e contemplar as nossas melhores obras de arte, como os azulejos, as boas faianças ou o mobiliário português reconcilia-nos com a vida, sobretudo numa altura em que os nossos governantes apostaram em destruír tudo e todos.

    Manel, tens toda a razão. O significado do passarinho com o raminho na boca assenta certamente na história bíblica de Noé. Também concordo que a flor por baixo, é o outro motivo da figura avulsa.

    Por último, um obrigado à seguidora misteriosa, que demonstra ter um grande gosto para coleccionar faiança.

    Abraços a todos

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  5. Caro Luis, boa noite. Parabéns a si e à primeira seguidora misteriosa pelas belas peças que nos mostraram. Bem sei que «desapareci» e tenho imagens que lhe prometi enviar mas profissionalmente ando com um novo projecto que me tem consumido todo o tempo disponível. Irei tentar redimir-me este fim de semana e enviar algumas imagens de peças ratinho que julgo serão uma achega interessante ao tema. Até breve, CC(a segunda «desaparecida» seguidora misteriosa)

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  6. Cara CC

    Não precisa de vir carregada de pratos para aqui ser bem vinda. Aprecio bastante os seus comentários de conhecedora de cerâmica só por si. No entanto se vier com loiça na mão melhor ainda...

    Recordei-me de si e da discordância com o Manuel acerca do prato dos peixes, em que ele afirmava que o motivo decorativo eram redes de pesca e a CC, pelo contrario, logo de início informou-me que acreditava serem rendas. Imagine que há uns tempos passou-me uma publicação pelas mãos sobre Rendas de Bilros, que costumam ser frequentes nas terras de pescadores. Ate há um ditado que diz "onde há redes há rendas". Portanto talvez as vossas opiniões não sejam antagónicas. Redes e rendas são coisas estruralmente semelhantes.

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