quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Travessa Cavalinho da Fábrica de Sacavém

Esta travessa cavalinho foi-me dada pela minha Tia Chica cerca de um ano antes de morrer. Como me via sempre entusiasmado por faianças antigas, no tempo que passávamos juntos em Vinhais, resolveu convidar-me para almoçar a mim e aos meus filhos, na sua casa de Lisboa, para comermos os seus célebres pasteis de massa tenra e para dar-me esta travessa, que era da família do marido. Na altura, deu-me a receita dos pasteis de massa tenra e presenteou-me com a travessa, dizendo que me a dava porque os seus descendentes não atribuíam o menos valor a qualquer coisa que não tivesse sido comprada ontem. E de facto, após a sua morte, as suas previsões foram perfeitamente concretizadas.

A travessa é de forma hexagonal, muito pesada, e segundo o Dicionário de marcas de faiança/ Filomena Simas, Sónia Isidro. – Lisboa: Estar Editora, 1996, será mais ou menos datada entre 1870 e 1880. O motivo é o célebre Cavalinho, também conhecido por estátua e deve ter sido a louça mais fabricada de sempre no nosso País e poucas serão as famílias portuguesas que não terão um cavalinho em casa da Fábrica de Louça de Sacavém. Creio que Sacavém continuou a produzir este motivo até ao seu fecho em 1983, portanto por um período de mais de 100 anos. Em 1981, quando trabalhei numa loja de vidros e cristais na Baixa ainda se vendia o Cavalinho muito bem.




O Cavalinho ou Estátua segundo Massarelos (imagens cedidas pelo blog Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém )


O Cavalinho ou estátua foi produzido não só por Sacavém, mas também por Massarelos (na casa de família da minha mãe em Vinhais existem uns quantos exemplares marcados), pela fábrica das Devessas de José Pereira Valente (Cerâmica em Vila Nova de Gaia. - Vila Nova de Gaia: fundação Manuel Leão, 1999. – p 263) e em Alcobaça, José Reis fabricou também uma versão popular cheia de cores vibrantes deste motivo (Faiança portuguesa: séculos XVIII-XIX /Jorge Pereira Sampaio. – Lisboa: s.n., 2009. – p. 1090-191).




O cavalinho ou Estátua produzido pelas Devessas de José Pereira Valente (imagens cedidas de Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém)

O cavalinho da Fábrica de Alcobaça de José Reis





Também no Porto, em datas que ignoro, o Cavalinho, foi produzido pela Corticeira Porto.


Conforme indicação do meu amigo Manel, que fez aqui um comentário muito oportuno, o motivo Cavalinho ou Estátua teve origem em Inglaterra, onde é conhecido pelo nome Grecian Statue, onde começou a ser produzido a partir de 1840. Segundo a http://www.marks4antiques.com/ houve pelo menos 4 fábricas naquele país que fizeram este motivo: BROWNFIELDS (GUILD) POTTERY SOCIETY LTD; JOHN THOMAS HUDDEN; THOMAS & JOHN CAREY - JOHN CAREY& SONS; WOOD&BROWNFIELD. Como os patrões de Sacavém e nesta altura também Massarelos eram ingleses tinham uma natural tendência a importar motivos do seu país de origem, que na época produzia a faiança mais popular em toda a Europa e penso eu que também nas Américas.

Tenho a travessa na minha cozinha e sempre que estou em volta nos tachos, lembro-me dos bonitos olhos azuis da minha Tia Chica, da sua voz característica e dos seus fantásticos pastéis de massa tenra, que eu tentei fazer e que saíram uma porcaria.

27 comentários:

  1. Aliás, há algum tempo topei com a fábrica de Massarelos e a sua história, onde me inteirei que data do período de 1873/1895 o fabrico industrial (numa tentativa de tornar mais industrializada a fábrica nessa época) dos azulejos quer lisos quer em relevo, e lembrei-me do encanto das fachadas revestidas com este último e que tanto prazer dão à vista, sobretudo quando flanando pelas ruas do Porto.
    Desta fábrica, que em tempos pertenceu igualmente a Rocha Soares, também sairam várias peças muito semelhantes às de Miragaia.
    Do período referente ao final do século XIX e posteriormente, já dentro do XX, a fábrica passa para mãos de ingleses, o que explica a influência deste motivo, já recorrente na louça inglesa (o motivo "Grecian Statue", semelhante ao nosso "cavalinho", era produzido em Inglaterra por vários fabricantes, pelo menos já desde o terceiro quartel do século XIX).
    Manel

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  2. A sua travessa é rara no tom azul. Tenho uma igual, também quinada mas em verde, com a particularidade de ter o cavalo à esquerda, o que julgo ser mais antiga ai por volta de 1770. No entanto a marca da sua é mais eloquente do que a minha. Apreciei o retrato da sua tia Chica. Mulher de fisionomia deslumbrante . A talhe de curiosidade fez-me lembrar que poderá descender dos desertores das invasões francesas ou de um núcleo de gente austríaca ou alemã, agora não tenho bem a certeza que viveu nessa zona. Dito por uma minha vizinha que é daí e já se deslocou à Torre do Tombo para fazer a árvore genealógica da família. Quando estiver com ela vou saber melhor. Sabe que me deixou com água na boca com os pastéis de massa tenra? Prefaciado as suas palavras "saíram uma porcaria" que tal partilhar a sua receita. Fica lançado o desafio.
    Maria Isabel

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  3. Cara Maria Isabel

    Já estranhava a sua ausência deste blog com os seus comentários sempre interessantes e até já pensava que estivesse de férias.

    Só foi pena que a fotografia da marca da minha peça tivesse saído esverdeada, quando na realidade é também azul, mas os meus talentos fotográficos são fracos.

    O meu pai já tentou traçar a genealogia deste lado da família(o materno), quem tem todos os traços muito claros (veja a foto do post acerca da minha bisavô que foi educada num convento na Mofreita)e são de Vinhais, um Concelho em pelo Parque Natural de Montesinho no Distrito de Bragança. Conseguiu chegar até aos finais do XVIII, príncipios do XIX. Na época tentou descobrir se de facto a família descendia de judeus como era tradição afirmar. Mas, a doença da minha mãe, impediu-o de continuar esse trabalho. Mas esse é um bom tema para um novo post.

    Prometo trazer a receita dos pasteis e coloca-la aqui como comentário. O meu amigo Manel fe-la e até saiu bem. Eu é que sou demasiado nervosinho para executar pratos da alta culinária.

    Abraços

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  4. Hoje ao arrumar gavetas, perdi uns papéis, pois claro, mas encontrei um flaid da fábrica de Sacavém que estará comigo há coisa de 25 anos.Uma breve resenda da história da fábrica e os carimbos usados. LuisY a sua travessa tem o carimbo com a data de 1870, é garantido. A minha que julgava ser mais antiga, porque tem a particularidade do cavalo estar à esquerda é Gil& Man de 1905. Aqui fica reposta a verdade.
    Ah, esquecia-me. Partilho o meu gosto consigo quando leio os seus comentários aos meus. Fico por certo bem melhor.Estou sempre de férias, infelizmente. Tenho andado ausente emocionalmente. Para aliviar a tensão gosto do seu blog. A talhe de foice devo dizer-lhe que é o único que comento na panóplia de blogs, não é que é um sortudo? Quero dizer-lhe que essa do nervosismo na culinária, também me assenta. Gosto de fazer coisas diferentes. Gosto de planear as festas. Este natal fiz um enorme bolo rei decorado com fios de ovos.

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  5. Segunda-feira tentarei trazer a receita dos pasteis de massa tenra.

    A Marca impressa é de facto de 1870, mas tem uma marva gravada de 1880. À cautela, afirmei que a data era entre 1870-1880. Enfim, deverá ser por aí.

    Os seus comentários são muito estimulantes e dão-me vontade de escrever mais

    Abraço

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  6. Pasteis de massa tenra da tia Chica

    1- A Massa

    500 gr de farinha
    100 gr de margarina
    100 gr de banha
    2 ovos inteiros

    Põe-se a farinha na mesa. Ponha cerca de meio copo de água quente com sal e desfaça a farinha com a mão, misturando-a.

    As gorduras previamente derretidas são misturadas na massa com os ovos.

    Amassa-se muito bem num movimento vertical, levantando-a com a mão e polvilhando-a com farinha. Para ver se está boa, consistente, esticasse-a um pouco com os dedos e só quando se apresentar elástica é que estará boa.

    Se não abrir precisa de mais farinha.

    Descansa uma hora coberta com um pano.

    Com o rolo da massa estendo-a e vou desenhando círculos, numa uma das metades do círculo coloque o recheio e depois dobre e então corta o pastel.

    Depois pode-se fritar em óleo quente.

    2 – o recheio

    Usa-se meio kilo de carne picada a que se juntou um bocadinho de presunto picado. Temperar com alho e sal grosso.

    Fazer o refogado com cebola. Deitar a carne e refoga-la

    No fim, cozem-se dois ovos. Corta-se os ditos ovos aos bocadinhos e misturam-se ao picado, com a ajuda de um garfo, para não desfazer o ovo, mas só no momento final do refogado.

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  7. Admirável a sua postura pontual, também pela partilha do segredo da receita de família. Um gesto inegável de um homem com muita classe, sem egoísmos. Adorei conhecer esta sua faceta, só possível porque lhe lancei o desafio.
    O Luis Y é uma caixinha de boas surpresas.
    Vou confessar um apego.Interrogo-me porque razão apenas homens com esse nome, a julgar que seja o seu verdadeiro, estão tão ligados a mim, casada há mais de 30 anos com um Luis e o meu melhor amigo de sempre também Luis e agora o meu blogista eleito ( virtual) também Luis. Caso para pensar. Em todos encontro vontades de explorar, muitas empatias e cumplicidades, mais não digo. Digo sim, a primeira vez que acedi ao blog gostei da foto com o chapelinho. Uma delícia, no imediato catapultou-me para 25 anos atrás, tinha eu na altura um igual em palhinha miúda amarelo e verde a lembrar o meu Sporting. Adorava pô-lo na cabeça na altura do Carnaval, atrevida ia com ele para o local de trabalho na baixa lisboeta, no caso um Banco. Ah pois é, atrevida o raças da moça. Outros tempos.Depois mudou a foto e apenas veio corrobar o que sentia quando lia os seus posts. Um homem muito erudito a fazer lembrar os eunucos tibetanos ( resquícios da camisa aberta a deixar ver o peito esbelto).Diga-me que estou enganada?
    Desculpe, estou um pouco fragilizada e deu-me para devaneios descontextualizados.

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  8. Cara Luz Maria

    Tal como os livros, que se não forem lidos não servem para a nada, as receitas de cozinha só fazem sentido se forem usadas, divulgadas e experimentadas.

    Muito obrigado pelos seus elogios. As suas palavras encorajadoras têm sido muito úteis para a prossecução deste blog e fico muito contente porque aquilo que penso e escrevo lhe dá prazer.

    Gosto muito de chapéus. Perco-me por eles. Fartei-me de rir com o "eunuco tibetano"

    Abraços e continue a aparecer

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  9. Olá Luís
    E aqui continuo eu a lê-lo e a segui-lo...
    Também eu amante loiças,e de outros "tarecos", enquanto objectos com história e com significado pessoal e familiar, me deleito com os seus escritos e fotografias, mas não só.
    Partilho também a convicção da importância de transmitirmos aos nossos filhos, a história,e os valores da família.
    Tenho três filhos, e já há uns anos que iniciei um "diário de bordo", do nosso percurso. São três belíssimos cadernos (decorados por mim :)), muito idênticos, onde escrevo e anoto coisas e factos com significado da vida familiar . Eles não sabem da existência destes cadernos. Estão religiosamente escondidos. No dia em que soltarem as amarras da casa dos pais, ofereço-lhos. Coisas de mãe!!
    Até breve
    MariaGabela

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  10. Obrigado, Cara Maria Gabela

    Este blog é também uma espécie de "diário de Bordo", ou como costumo dizer um inventário sentimental, que talvez um dia desperte o interesse dos meus filhos. Apareça sempre

    Abraço

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  11. gostaria de arranjar um rolo de massa de sacavem dos anos 40 a minha avó tinha um. voces acham possivel? quanto custará?

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  12. Normalmente essas peças são mais raras. São como as conchas da sopa em faiança, que raríssimo apanha-las, pois são as primeiras a partirem-se. No entanto não desista, consulte os sites de leilões, como o netleilões, o olx e vá às casa de velharias, à feira-da-Ladra, de Belém e de Algés. O preço varia, consoante o vendedor e a intenidade do seu desejo em ter um.

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  13. Apenas para lhe cahamar a atenção para o facto da sua travessa ser ainda mais rara, pois não tem um cavaleiro, tem uma amazona, o que só por si a valoriza imenso.
    Parabéns pelo seu blog

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  14. Cara Lídia

    Obrigado pelo seu comentário. Espero poder contar mais vezes com a sua presença neste blog

    Abraço

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  15. Boas
    Não posso dizer que sou um leitor diário do blog, mas de vez em quando cruzo-me com ele e devoro-o , excelente.
    E desta vez resolvi pedir ajuda, coleccionador essencialmente de Cerâmicas e Porcelanas de que tento fazer uma análise profunda peça a peça, deparei-me a uma semana para cá com um "achado" que me tem dado agua pela barba, já resolvi duas Sta ana, que é de Lisboa (Constancia ou Viuva José Dias) não confundir com a outra Sant'anna e Milagres fábrica que antecedeu a Aléluia, para quem não sabia aqui fica o meu contributo.
    Para as outras duas muito interessantes mas longe de estarem identificadas é que eu peço uma ajuda, se alguem tiver uma opinião penso que lá chegarei, am ambas a identificação começa por: Um traço vertical com 3 traços horizontais, como se fosse um F com 3 pernas, que ignoro o que seja, embora me recorde já ter visto algures, depois segue-se algo pouco claro que pode ser ANA ou AIVA e ainda uma delas me parece ter uma assinatura JF, acrescento a isto que me parece serem centenárias por modéstia.
    Se houver por aí alguem que me possa ajudar, agradecia e prometo que compartilho as peças neste Blog, são de facto magnificas.
    Fica o meu agradecimento antecipado.

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  16. Desculpe, só agora li a sua mensagem. Se me puder enviar uma imagem da marca para montalvao.luis@gmail.com, será mais fácil ajuda-lo a identificar a peça, muito embora as obras de referência só contemplam as peças mais antigas e são omissas para as obras dos anos 30, 40 ou 50

    Abraço

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  17. Boa noite!

    Pode-me enviar o seu e-mail para eu lhe enviar um mail?

    Obrigado

    António

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  18. O meu mail é: ant_jere@hotmail.com

    Obrigado

    António

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  19. Bonita história. Para mim os objectos valem pela história que carregam. Por isso adoro «velharias» e em particular a única que tenho como tendo pertencendo a uma bisavó: da loiça cavalinho!
    Cumprimentos

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  20. PS: É uma pena isso de não ter conseguido aprender com a sua tia a confecção desses belos pastéis. Isso só por si, é uma lamentável perda histórica :)

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  21. Caro ou cara PT

    Obrigado pelo seu comentário e bem vindo ao meu blog. Tento sempre apresentar cada peça com uma história. Cada uma das velharias que aqui mostro percorreu já um longo caminho, 70, 200 ou 300 anos e já passaram por várias mãos e modas. Esta travessa ficará sempre ligada à memória da minha Tia Chica e aos seus pasteis de massa tenra.

    Talvez um dia volte a ter coragem para experimentar a receita. Seria uma forma de fazer viver a minha tia.

    Um abraço

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  22. Parabéns pelo seu blog, um dos raros sitios onde se pode obter alguma informação sobre faianças.
    As loiças e faianças sempre me fascinaram. Tenho algumas peças e não sei como identifica-las, apesar de saber que não tenho nehum tesouro. Poderia dar-me uma opinão, sobre as mesmas?
    Obrigada!

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  23. Cara Carla Amado

    A maioria da faiança portuguesa nunca está marcada e é sempre uma trapalhada identifica-la. Sacávem foi das poucas excepções que marcou sempre as suas peças. Muitas vezes consegue-se apenas dizer que são de Coimbra, Aveiro ou Porto / Gaia.

    Se quiser poderá enviar-me uma peça ou outra para o meu e-mail, que se encontra no meu perfil, mas eventualmente poderei não lhe adiantar muita coisa.

    Um abraço

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  24. Tambem amo a loiça do Cavalinho,"Sacavem" tambem tenho uma travessa pequenina que herdei da minha Tia Sara ,é verde e eu a guardo com todo o amor.Tambem tenho um serviço de cCavalinhi,mas imitação,cheio de defeitos,mas é com essa loiça que recebo as vizitas,não para as impressionar,pois não é verdadeiro,mas sim para eu matar saudades. Em casa do meu Pai havia o serviço verde e vermelho e em casa da minha Mãe era o azul e preto.BJS. <3

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  25. Procuro louça azul do cavalinho, estou conformada que só posso custear imitações, mas estou como a leitora/leitor Anónimo: mato saudades. Quando casei comprei um serviço, verdadeiro, de cor rosa, no Grandella e carreguei com a caixa ao colo até ao meu carro, como se levasse um bébé. Fiquei com os braços dormentes!Já passou para um dos meus filhos e agora contento-me com uns restos do azul e imitações. Mas gostaria de comprar mais porque estou a ficar sem louça.Alguém me sabe dizer se ainda é possível encontrar? os últimos que adquiri foram no Continente de Amadora, há muitos anos. Gostei muito de ler este blog e só não experimento os pastéis de massa tenra porque não gosto lá muito de cozinhar, prefiro comer :).

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    1. O Continente continua a vender louça de cavalinho, claro sem qualquer marca, mas é boa para ser usada correntemente.

      Se quiser comprar louça cavalinho verdadeira, terá que ir para as feiras de velharias, pois ainda se vai comprando a preços aceitáveis, mas é uma pena pô-las a uso.

      Cumprimentos

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  26. Boa tarde. tenho umserviço de chá de louça de sacavém.Interessado mandem mensagem.

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