segunda-feira, 6 de junho de 2011

Chávena de chá provavelmente da Vista Alegre ou a segunda-feira da chávena sem José Sócrates

Desculpem-me a alusão política, mas não resisti a expressar a minha alegria e para comemorar decidi fazer uma segunda-feira da chávena, um dia especial, dedicado a coisas bonitas, antigas e sensatas, em oposição ao pensamento estratégico, à gestão por objectivos e a as outras larachas, que caracterizaram a derrocada do País durante o consulado socratista.

Se repararem bem o pires não é idêntico à Chávena

Mas deixemos o consulado de má memória do outro e passemos ao assunto da Vista Alegre.

Tudo isto começou com um conjunto da Vista Alegre, que a Maria Andrade apresentou e que apesar de não estarem marcadas, a nossa amiga acreditava serem da fábrica de Ílhavo. Na altura dei-lhe razão e referi-lhe um conjunto muito próximo que tinha visto no Museu Nacional de Arte Antiga.


Depois, a semana, passada andei por Estremoz e apesar da crise fiz estragos e parecia atacado de uma febre qualquer de compras. Além do Cristo e mais uma coisa aqui e acolá, comprei esta chávena que acredito ser da também da Vista Alegre, embora não apresente a marca característica VA. O pires não é do conjunto da chávena, mas por cinco euros não podia pedir mais. A peça apresenta três marcas incisas no verso, cujo significado me escapa.
a marca do pires

A cercadura floral que decora a chávena é interrompida, por um monograma composto por três letras góticas, formando as iniciais LAH. Julgo que se referem ao nome do encomendador, que eu imagino ter sido um hotel, ou um rico burguês e que quis o serviço de chá com um monograma pessoal.

O monograma com as letras góticas LAH

O formato da asa é aquilo que a Maria Andrade designa por London Shape e provavelmente foi uma moda bastante difundida por todos os fabricantes europeus de porcelana

A Chávena apresentada em Fevereiro de 2010

Esta chávena assemelha-se muito a um exemplar que apresentei no blog em 22 de Fevereiro de 2010, também sem qualquer marca e a um ao um conjunto de chá que o Museu Nacional de Arte Antiga expõe na vitrina dedicada à Vista Alegre.
O serviço do Museu Nacional de Arte antiga

O Museu datou as peças entre 1852-69 e atribui-as inequivocamente à Vista Alegre, o que me permite a mim, acreditar que a chávena agora apresentada e a que mostrei anteriormente são também seguramente da Vista Alegre e serão talvez datadas do terceiro quartel do século XIX. A cronologia é que me oferece mais reservas, pois a Vista Alegre usou, como já sabemos todos, as mesmas decorações e os mesmos formatos durante décadas consecutivas.

O exemplar do Museu Nacional de Arte Antiga

6 comentários:

  1. Bem vindo à segunda feira sem Sócrates!
    Agora deu em escapadelas a Estremoz, sei.Faz muito bem mudar de ares e ajudar o seu amigo Manel.
    Pior fico eu que ai gosto de ir pelo menos uma vez no ano e pelo jeito surripa com o olhar e a preço convidativo o melhor da feira...
    Mesmo que eu vá e nada me satisfaça, entro na tasca ao lado e desforro-me no ensopado de borrego.

    A chávena é lindissima. O monograma torna-a especial. Uma achado te-la encontrado, mais uma para a sua coleção de porcelanas com florzinhas delicadas.

    Gosto da asa.Miragaia também a copiou, sabia?

    Boa semana de trabalho
    Beijos
    Isabel

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  2. Olá Luís,
    Cá vou tentando pôr a minha escrita em dia… :)

    São sempre encantadoras estas chaveninhas com flores e dourados da Vista Alegre. Eu não lhes resisto e já tenho várias chávenas e pires deste género também desirmanadas.
    Agradeço-lhe ter aqui mostrado os magníficos exemplares do MNAA.
    As asas são realmente do tipo London shape, assim como as suas,só não têm a curva pronunciada no prolongamento superior, que as inglesas quase sempre apresentam.
    Foi um modelo introduzido em Inglaterra por volta de 1812, muito usado ao longo do século XIX, e os chineses também o usaram em chávenas de chá da decoração Mandarim e outras da mesma época. Já vi exemplares de faiança dita de Miragaia com este formato, como refere a Maria Isabel.
    Também me agradou particularmente aquele belo monograma dourado na chávena que comprou mais recentemente . Torna-a única, ou pelo menos uma das poucas que formavam um serviço único. É esse o grande atrativo das peças com iniciais ou das brasonadas, estas sempre mais caras.

    Graças à sua dica já consigo comentar com a
    minha conta do Google. Obrigada.

    Um abraço

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  3. Esqueci-me de referir uma coisa:
    Os traços incisos na pasta penso serem marcas de oleiro, muitas vezes números, neste caso o número 3 romano. É que tenho peças só com um 0, só com um traço, com o IV romano e uma com um 7 ou L, todos incisos. Há ainda uma ou duas com M maiúsculo. Também aparecem outros pequenos números pintados que serão marcas de pintor porque estão na cor em que foi feita a decoração.
    Passamos a vida a tentar adivinhar o signicado destas coisas, enquanto não há certezas...

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  4. LuisY disse...
    Maria Isabel, creio que já vi chávenas de faiança portuguesa com estas asinhas, a que os ingleses chamam London shape..também gosto da feira de Estremoz. Comprar velharias aqueles ciganos faz-me sentir que o Norte de àfrica não está longe.

    Beijos

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  5. maria Andrade

    Fiquei cheio de curiosidade em desobrir a quem pertenceram as iniciais do monograma, mas deve ser impossível.

    Registei a informação de 1812. Essas coisas dão jeito para datar peças.

    Também me parece que as três marquinhas no verso do pires serão alguma marca interna da Fábrica, como o foram as marcas sigilatas para os pedreiros. Nos livros sobre a Vista Alegre que me passaram pela mão nunca vi referência a estas marcas.

    Sabe que mais? Creio que vou fazer um e-mail ao Museu da Vista Alegre fazendo a pergunta. Já uma vez fiz isso e foram muito simpáticos e responderam-me logo.

    Abraços

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  6. Não creio que alteração de governo tenha sido para melhor, mas pior que o anterior creio ser bastante difícil; este nosso último e malfadado governante saíu (dificilmente me recordo de pior governante na nossa história recente!), mas já foi tarde, pois muito do mal que poderia ter sido feito já o está!
    Dizia-se, à laia de desculpabilização bacoca, que a criatura atuava como um celerado, mas que o fazia com boa intenção ... mas, como diz o ditado, "de boas intenções está o Inferno cheio", e espero que este lá vá parar também, pois merece-o!
    Infelizmente (e segundo a nossa "melhor" tradição política) vão arranjar-lhe agora uma gaiola dourada, pago a peso de ouro (à nossa custa, bem entendido!), onde vai iniciar uma travessia no deserto, e daqui a pouco estará outra vez na crista da onda, como se não tivesse sido o causador de muitas das piores decisões que foram tomadas nestes últimos anos!
    Quanto à tua chávena, não merecia este discurso todo, pois é demaisado bela para estar misturada com esta escória política.
    A grande tradição da porcelana europeia no seu melhor!
    Manel

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