domingo, 10 de abril de 2011

A simplicidade da Faiança do Juncal


A nossa primeira seguidora misteriosa resolveu presentear-nos com 3 peças do Juncal e produzidas no período mais original desta fábrica, que estava localizada no Juncal, no Concelho de Porto de Mós, que para quem não sabe, fica perto de Alcobaça e Leiria.

Esta fábrica foi fundada em 1770, portanto em pleno consulado pombalino e como vimos no post anterior, gozou de um período de protecção alfandegária e isenção de taxas à exportação. As primeiras produções do Juncal eram muito semelhantes as fábricas suas congéneres do resto do país. Usavam formas emprestadas da ourivesaria e decoravam as peças à moda de Ruão.

Aqui convém abrir um parêntesis, para explicar que é um exagero chamar fábrica ao Juncal. Terá sido mais uma manufactura ou uma oficina. Nos vários inquéritos oficias que se fizeram a este centro, o número de empregados variava entre 15 e 7 pessoas.

Segundo Jorge Pereira Sampaio, na obra A faiança Portuguesa: séculos XVIII-XIX. Lisboa: ACD Editores, 2009, o segundo período da fábrica, começou em 1824, com a vinda de um ceramista de Coimbra, um tal José Fernandes da Fonseca e é o período mais original do Juncal. Integram-se nele o galheteiro e a travessa da nossa primeira seguidora misteriosa.

Os motivos decorativos deste período são conhecidos pelos nomes de Avencas e Fogos-de-artifício.

De facto, estas decorações evocam de imediato as avencas e aqueles foguetes, que deitam lágrimas luminosas, mas na realidade, segundo José Queiroz deverão derivar de algum motivo oriental. Independentemente da fonte de inspiração, estes motivos muito simples são muito sedutores.

A terrina da nossa amável seguidora corresponde já a uma fase mais tardia do Juncal. obra A faiança Portuguesa: séculos XVIII-XIX. Lisboa: ACD Editores, 2009 reproduz um exemplar muito semelhante datado do 3º quartel do século XIX. Corresponde a fase em que as louças inglesas entraram em força em Portugal, enchendo os lares da burguesia abastada e os centros de produtores de faiança, começam a dirigir as suas produções para um público menos endinheirado. A decoração perdeu qualidade, mas conserva aquele encanto singelo do Juncal.

Terrina da Colecção de Jorge Pereira Sampaio

8 comentários:

  1. Caro Luís

    Descobri a fainça do Juncal há pouco tempo e sem dúvida que esta fábrica produziu peças de uma grande beleza e, diria até, com uma decoração fora habitual, muito suave, pouco garrida, da qual, esta peça é um bom exemplo.
    Pena é que, sejam difíceis de encontrar...
    A sua primeira seguidora misteriosa, está mais uma vez de parabéns. Obrigada aos dois pela partilha.
    Um abraço
    Maria Paula

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    1. sinto muito a todos e desanimar ,, mas esta terrina não é juncal nunca foi e nunca vai ser ,, só existe uma fabrica que pintou 2 circulos em volta dos bordos ,, e abaixo desses circulos o ondula ,, só existe numa unica fabrica portuguesa ,, essa peço é bem mais importante do que todos dizem ,, ,,, 2 riscos e um sendo mais grosso logo com risco com ondulado ,,, É EXTREMOZ ,, PURO E MARCA DA UNICA FABRICA QUE FAZ ISTO DESDE O INICIO DA FABRICA POR ISSO ESTA TERRINA É EXTREMOZ ,, PURO E MAIS MAIS FELICIDADE DA DONA ,, EÉ ESTREMOZ PRIMEIRA FASE 1773 A 1776 POR ISSO ESTA TERRINA É MUITO BOA E ESPECIAL ,, NÃO EXISTE NEM MUSEUS LOUÇA PRIMEIRA FASE ,, ,, TODO AZUL O MESTRE DA FABRICA E DAS PINTURAS TINHA VINDO DA FABRICA DO RATO PARA A FABRICA DE EXTREMOZ POMBALINA E A FABRICA É DE LISBOA CRIADA POR ,, MARQUES POMBAL COMO A REAL FABRICA DO RATO SÃO AMBAS POMBALINAS ,,OK ,, DISSE

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    2. JÁ AGORA O NOME DO GRANDE MESTRE DA FASE AZUL QUE SÓ DURO 3 ANOS ,,SEBASTIÃO GAVIXO

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    3. Caro João Sousa

      Muito obrigado pelo seu comentário. a troca de ideias, mesmo que contrárias, é sempre frutuosa.

      Em primeiro lugar, quando as peças não estão marcadas, estamos sempre a correr um risco, quando fazemos atribuições e por isso há que deixar sempre um lugar para a dúvida.

      No entanto, há muitos especialistas que tem estudado o assunto. como Jorge Pereira Sampaio, que tem estudado a faiança do Juncal, que nunca aparece marcada, mas que tem uma unidade estilística inconfundível, como as peças que aqui mostrei, pertencentes a uma coleccionadora, também muito sabedora do assunto. Recomendo-lhe a leitura do catálogo "A faiança da Fábrica do Juncal. - Lisboa : Museu Nacional de Arte Antiga, 1999" e perceberá que atribuição que aqui fiz foi bem fundamentada

      Relativamente a Estremos, também já aqui escrevi sobre o assunto, apresentando uma peça marcada de Sebastião Gavixo, recorrendo ao último estudo sobre esta fábrica "Apontamentos sobre a faiança de Estremoz / Hugo Alexandre Guerreiro", publicado em "Olaria. - Barcelos: Câmara Municipal de Barcelos, nº 4 (2008-2010), p. 68-117.

      Neste posto, certamente irá reparar que as peças de Estremoz não tem nada a ver com o Juncal.

      Não sei tudo sobre faiança, mas quando escrevo, não é porque simplesmente "acho", mas porque li sobre o assunto, vi muito museu e dou-me com coleccionadores.

      Cumprimentos

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    4. aqui está link sobre o post de estremoz https://velhariasdoluis.blogspot.com/2018/12/travessa-de-estremoz-e-terrina-de.html

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  2. Olá Luís
    As duas primeiras peças de faiança q aqui mostra são dignas representantes da faiança do Juncal e são uma parte importante da história da nossa faiança. São peças valiosas q se encontram em livros e em museus e por isso esta decoração com avencas é imediatamente identificada como Juncal.
    Para mim a grande novidade foi a terrina redonda com decoração de flores a azul. Este modelo e decoração não reconhecia como Juncal, atribuía mais depressa a Coimbra, mas o Luís bem explicou q a 2ª fase de produção foi iniciada por um ceramista vindo de Coimbra. Lá estão novamente as influências vindas de diferentes centros de fabrico.
    Parabéns mais uma vez à sua seguidora misteriosa, possuidora de tão invejáveis tesouros!
    E um abraço para si q continua imparável nestes posts com tanto interesse.

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  3. As contas e as avencas já as conhecia, e o próprio desenho presta-se a composições singelas e elegantes.
    As peças são bonitas, quanto à terrina, igualmente não a associaria ao Juncal, mas quem sabe sabe!
    Estás de parabéns pela investigação que, pacientemente, vais levando a cabo sobre estas peças, e um agradecimento à pessoa que, amavelmente, as vai partilhando.
    Manel

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  4. Caros amigos

    Desculpem-me responder tão tarde aos vossos comentários, mas ando com muito menos tempo que outrora.

    O Juncal sofreu a concorrência inglesa e da porcelana da Vista Alegre e teve que começar a dirigir os seus produtos para um público mais popular. Portanto, a última fase do Juncal, menos valorizada pelos antiquários, é mais simples e pobre, como as terrinas mostradas, embora, como escrevi no blog, mantem um encanto especial

    Abraços e gosto muito de vos ler

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