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quinta-feira, 2 de março de 2017

Ruínas: prato de faiança inglesa da Copeland



Comprei recentemente este prato de sobremesa da Copeland na feira de Estremoz. Na verdade, não pretendia compra-lo, mas o vendedor fez um preço conjunto irresistível para este pratinho e um prato de faiança portuguesa, no qual o meu amigo Manel estava interessado e lá voltamos para a casa os dois todos contentes, cada um com o seu prato na mão.

Este prato de faiança foi fabricado pela firma inglesa Copeland, cuja existência decorreu entre 1847 e 1970, muito embora a origem desta fábrica remonte à mítica Spode, comprada em 1833, pelos senhores William Taylor Copeland e Thomas Garrett. Em 1847 o Sr. Copeland tornou-se o único proprietário e a fábrica manteve-se com esse nome até 1970, altura em que retomou antigo e prestigiado nome Spode.
 
Marca incisa da Copeland
É um prato com marca, portanto a atribuição não oferece dúvidas. Mais, está também datado, conforme se pode ver pela marca incisa M75, que quer dizer que a peça foi fabricada em Março ou Maio de 1875.

Relativamente à decoração, que representa um edifício gótico em ruínas, ladeado por folhas de carvalho e bolotas. Descobri no blog da nossa amiga Maria Andrade, o Arte livro e velharias, que este padrão é conhecido ora pelo nome ruins ou Melrose. Fiz então umas pesquisas combinando aqueles dois termos no Google e descobri que a decoração deste prato possivelmente evocará as ruínas da Abadia de Melrose, na Escócia.
 
Este monumento arruinado tinha inspirado muitas gravuras românticas, que circulavam em Inglaterra na primeira metade do século XIX e que serviram certamente de modelo ao fabricante de faiança, Zachariah Boyle, que produziu entre 1823-1850, uma série de vistas de paisagens, castelos e mosteiros, as Antique Scenery Series, entre as quais se contavam as ruínas da Abadia de Melrose.
A Abadia de Melrose pela Boyle
A possível representação da Abadia de Melrose feita a partir de 1848 pela Copeland está mais longe da realidade do que aquela feita pela Boyle. Será apenas uma vaga evocação daquela ruína romântica ou talvez de um outro qualquer monumento em ruínas inglês, pois poder-se-a tratar de uma série decorativa da Copeland, com vários pratos, travessas e terrinas, cada um deles representando uma ruína da velha Albion 
 
 
 
No entanto, a decoração deste simples prato, com as ruínas, envoltas numa névoa, não deixa de ser sugestiva e parece-nos que ao longe ouvimos ventos uivantes e os ecos dos amores infelizes de Heathcliff e Cathy.


 
 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sacavém e Copeland

Saladeira copeland
Já é um lugar comum falar na influência que faiança inglesa exerceu ao longo do século XIX na louça de Sacavém, quer na decoração, quer nos processos de fabrico. Se conhecemos essa influência em algumas peças, como o motivo cavalinho, o faisão ou o Júpiter, para muitas outras decorações produzidas ao longo da segunda metáde do séc. XIX por Sacavém, falta estabelecer uma relação com a loiça feita em Inglaterra ou em outras fábricas europeias, durante o mesmo período.


A saladeira Copeland ao lado da pequena terrina de Sacavém. As semelhanças falam por si.

Em Janeiro de 2013, já aqui tinha mostrado uma pequena terrina, ou talvez uma molheira, com a marca de Sacavém, correspondente ao período de 1856-1861, ou seja à época mais antiga da Fábrica, anterior aos patrões ingleses, que dominaram praticamente toda a existência de Sacavém. Quando mostrei esta peça, fui de opinião que a influência inglesa era óbvia, mas não a relacionei com nenhum padrão em particular, até que o Manel e eu colocámos esta peça ao lado de uma saladeira da Copeland, de que já aqui tinha apresentado duas azeitoneiras e uma molheira do mesmo serviço e as semelhanças eram eloquentes. 

Portanto, em Sacavém, entre 1856-1861 alguém tomou como modelo a decoração e as formas de um serviço da Copeland, registado em 1849 e conhecido pelos nomes de garland ou rose briar.

As semelhanças são tão evidentes nas fotografias, que escuso de maçar quem lê estas linhas, com descrições exaustivas da decoração, referindo que há um filete aqui, uma grinalda acolá e uma faixa decorativa acoli. Não há dúvida que Sacavém copiou Copeland, mas fê-lo com gosto.
Sacavém copiou Copeland, mas com gosto

terça-feira, 16 de junho de 2015

Azeitoneiras e molheira Copeland

Para um coleccionador amador como eu, que vive numa espécie de casa de bonecas com uma assoalhada e meia, resta-me apenas a opção de comprar peças de pequenas dimensões, possíveis de encaixar nuns 20 ou 30 cm de parede livre, que ainda restam aqui e acolá, apesar de serem cada vez em menor número. Por isso, comprei há pouco tempo duas pequenas azeitoneiras de faiança inglesa de meados do século XIX, por um preço muito em conta na Feira de Estremoz. O Manuel comprou uma molheira do mesmo serviço e acabei por lhe oferecer uma das azeitoneiras. Esta minha peça irá juntar-se a um conjunto de azeitoneiras inglesas que tenho vindo a adquirir.
A marcas das azeitoneiras
As peças estão marcadas com o monograma da fábrica, a Copeland, que foi umas das marcas inglesas de cerâmica com mais prestígio. Teve origem na célebre Spode, fundada em 1770, a primeira casa a produzir o célebre padrão do salgueiro, e que foi em 1833 comprada por William Copeland e Thomas Garrett. A partir de 1847 o Sr. Copeland tornou-se o único dono e marca passou-a designar-se por W.T. Copeland & Sons, nome que manteve até 1976, ano em que voltou a designar-se por Spode. As marcas destas peças indicam-nos, que poderão ser tido executadas entre 1847-67
 
Tardoz da molheira. O diamond-shaped English Registry mark indica o ano, o mês e o dia, em que o padrão foi registado
As três peças deste conjunto, ostentam também no tardoz o chamado The diamond-shaped English Registry mark, isto é, um conjunto de sinais e códigos, definidos pelo serviço oficial de patentes do Reino Unido, que indicam o ano, o mês e o dia, em que o padrão foi registado e cuja chave de descodificação se encontra disponível em vários sites da net, como por exemplo no kovels.com. O padrão destas duas azeitoneiras e molheira foi registado no dia 17 de Agosto de 1849.

No entanto, julgo que esta data, se refere ao registo do padrão decorativo e não ao ano exacto do fabrico. Portanto, a execução destas três peças poderá ser sido mais tardia. Aliás encontrei num site de arqueologia, o Canadian Historic Sites, referência a que em 1882 este padrão ainda estava disponível num catálogo de vendas da W.T. Copeland and Sons.

Este site contem um artigo on-line, muito curioso de Lynne Sussman, intitulado Spode/Copeland Transfer-Printed Patterns Found at 20 Hudson's Bay Company Sites, que nos conta que em meados da década de trinta do século XIX, a Spode Copeland tornou-se o fornecedor oficial de loiça da Hudson Company, situação que manteve até ao início do século XX. Portanto, em todos postos da Companhia comia-se e bebia-se em serviços daquela loiça inglesa. Já no nosso tempo, os arqueólogos escavaram alguns postos comerciais da Hudson Company e compararam os achados de loiça com as chapas de cobre e os livros de padrões que ainda existem na fábrica Spode e o resultado foi a publicação de um trabalho impressionante, que cobre 109 padrões decorativos, muito útil para todos os coleccionadores de faiança inglesa
Imagem do livro de padrões da fábrica
Consegui descobrir neste site, numa das reproduções do livro de padrões, a imagem que esteve na origem do decoração estampada nestas três peças e que se conserva nos arquivos da fábrica Spode, onde surge designado por garland ou rose briar.
 
 
Em suma, este conjunto de azeitoneiras e molheira foi fabricado pela Copeland, entre 1849 e 1867, numa época em que Inglaterra era maior potência industrial do mundo e as suas produções invadiam o mundo inteiro e tão depressa chegavam às imensidões gélidas do Canadá, como à Ocidental Praia Lusitana.
A beleza do azul e branco da faiança inglesa
 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Azeitoneira Copeland da segunda metade do século XIX


O coleccionismo de velharias é uma coisa fascinante porque à medida que vamos comprando, vamos aumentando a nossa cultura sobre as artes decorativas do passado. O reverso da medalha é que vamos tendo cada vez menos espaço nas nossas casas. Eu estou reduzido a comprar peças de pequenas dimensões, que caibam numa dúzia de centímetros livres na parede, como por exemplo esta pequena azeitoneira do século XIX.

É uma peça inglesa fabricada pela Copeland, uma firma inglesa que sucedeu à prestigiada Spode (ver post de 28 de Novembro de 2011 da Maria Andrade para perceber quem foi o Sr. Spode e que firmas continuaram o seu trabalho).


Este pickle dish terá sido fabricado depois de 1847, porque até essa data marcavam-se as peças com os nomes COPELAND & GARRETT e antes de 1867, pois nesse ano à Copeland acrescentou-se-lhe a expressão"& SONS. Em suma, este pickle dish ou azeitoneita pode ser datado com alguma segurança entre 1847 e 1867.

Depois de conseguir datar a azeitoneira, tentei descobrir como se chamava o padrão decorativo. Fiz umas pesquisas no google, combinando os termos Copeland Pottery e Fern e flowers e acabei por chegar lá. Encontrei um prato exactamente igual, datado de 1855 e com o nome do motivo decorativo identificado, o Fern pattern. Este padrão combinava os fetos com uma flor que também é muito popular em Portugal, as Campainhas, cujo nome científico é Convolvulus.



E com as campainhas me despeço.