No álbum de fotografias do meu pai, descobri mais uma fotografia do pátio interior do Solar dos Montalvões em Outeiro Seco, datada da década de 30. Mostra o meu bisavô José Maria Ferreira Montalvão, o meu avô paterno Silvino da Cunha e a criança será a irmã do meu pai, Maria Helena que ainda está viva. Mas, talvez o melhor da fotografia, seja o pormenor com que se pode ver a voluta final da escadaria. 
Na porta do topo da escadaria, está uma data, 1782, que conforme eu referi no post 23 de Outubro de 2009 deve referir-se à data de construção da escadaria. Tal como o sino, esta obra terá sido feita no tempo Antónia Maria de Montalvão Morais (1732-1809)(n.20 do livro Os Montalvões), que na altura já se encontrava viúva do seu marido, Miguel Alvares Ferreira, falecido em 1779, ou talvez ainda por algum dos seus filhos mais velhos.
Segundo J. T. Montalvão afirma na sua obra, Os Montalvões, terá sido o sogro desta Senhora, o Capitão José Alvares Ferreira o principal construtor da casa, ou conforme interpreto eu, foi o responsável pela fachada nobre do edifício, que dá para o lado sul. O único brazão da casa, que se encontra nessa fachada é dos Álvares Ferreira. Os Montalvões aparecem nesta casa por via do casamento em 1746 desta Senhora, Antónia Maria de Montalvão Morais com Miguel Alvares Ferreira, filho do tal capitão de cavalos, José Alvares Ferreira. A Antónia Maria morava ali numa povoação ao lado, Vila de Frade, os dois pertenciam mais ou menos ao mesmo meio, fidalguia rural e o casamento entre os dois deve ter sido combinado espontaneamente entre os pais. A pequena Antónia Maria casou com 14 anos, acto que hoje seria considerado pura pedofilia, mas na época era comum casarem as raparigas um ou dois anos depois da primeira menstruação.
Todos os descendentes deste matrimónio, inclusive eu, deviam chamar-se Álvares Ferreira, em vez de Montalvão, mas na época, em que aquele casal viveu e gerou os seus filhos, pelo menos na zona de Chaves, transmitia-se o nome à espanhola, isto é, o nome ou nomes do pai eram colocados logo a seguir ao nome próprio. Mais tarde, julgo eu, que já no início do Século XIX, passaram a usar a regra portuguesa, em que o último nome é o principal e os meus antepassados passaram aos filhos Montalvão, o nome feminino, que já estava tão a jeito colocado no final, em vez de Álvares Ferreira.


Nos arquivos que o meu pai salvou do esquecimento encontrei esta fotografia do meu bisavô, José Maria Ferreira Montalvão (1878-1965) com o traje de caça, num certo ar de marialva, mas que permite ver os restos de cantaria existentes no pátio, destinados à construção da escadaria. Na imagem, talvez datada dos primeiros anos do Século XX, vê-se uma porta emparedada, que teria dado acesso à capela. Se estava planeada uma saída da capela para o pátio, então a dupla escadaria é uma alteração no plano original. Certamente que quando ergueram a fachada poente do solar esteve prevista uma escada de acesso ao primeiro piso num sítio diferente. O meu amigo Manel, que é arquitecto e tem uma boa sensibilidade para estas questões, acredita que a escadaria esteve projectada para a zona onde é o passadiço. Pessoalmente discordo, pois se houvesse ali um sistema de escadas, os cavalos não poderiam entrar e sair no pátio. Recordo que as cavalarias estavam em lojas em redor do pátio. Enfim, haverá ainda muita coisa por esclarecer



