Mostrar mensagens com a etiqueta janelas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta janelas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Mirante em Borba


Por todas as terras que passo, por todas as ruas com casario antigo, que calcorreio, estou sempre a descobrir casas onde me imagino a viver. Não sei exactamente de onde me vem esse desejo. Talvez seja por viver num apartamento muito pequeno e ambicione um espaço maior para enche-lo com antiguidades ou talvez porque na infância e juventude conheci ainda casas de família com história e aprendi com o meu pai e a minha avó a valorizar esse passado, que impregna cada uma dessas casas antigas, mesmo quando já foram abandonadas se encontram em ruínas. Viajo sempre com esse sentimento romântico de querer viver naquele solar abandonado, na grande residência burguesa do século XIX ou naquela casinha com um portal quinhentista, estejam estes edifícios no Alentejo, em Guimarães, Chaves ou no Porto.
 

Desta vez apaixonei-me por uma casa antiga com um mirante, na vila Alentejana de Borba. Em 1863, o proprietário desta casa teve a deliciosa ideia de construir um mirante no telhado e certamente que não foi por razões práticas. Daqui poderia ver os extensos vinhedos, que rodeiam a vila, enquanto tomava um chá sentado numa cadeira de verga e nas noites do terrível verão alentejano, talvez aqui em cima se sentisse uma brisa fresca. No dia da procissão do Senhor dos Aflitos era certo que o Mirante estaria engalanado de colchas e que os vários membros da família se acotovelariam para ver passar os andores. 

Enfim, confesso que também me imaginei neste mirante, até porque sou um homem curioso, que gosta de ver os outros passar na rua sem outro objectivo aparente senão o de observar a humanidade.
 
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Janelas e portas de Bragança


Julgo que foi a pintora Maluda (1934-1999) quem tornou moda, no final a década de 70, a pintura ou fotografia de portas e janelas, que hoje está tão generalizada. Com efeito, a obra daquela pintora foi amplamente copiada por toda uma série de artistas amadores, como militares na reforma, donas de casas com filhos já criados e antigos professores liceais. Também na internet, há uns quantos blogues que se dedicam à fotografia de janelas, portas e aldrabas com uma clara influência maludiana. As obras de Maluda foram reproduzidas em selo, multiplicadas em serigrafia, postais e creio que é a única artista plástica recente realmente popular, que toda a gente conhece e sobretudo gosta de forma espontânea, sem precisar de ler de nenhum manual de arte para aderir às suas pinturas.

Esta popularidade do tema das janelas e das portas é do ponto de vista da psicologia humana compreensível, pois capta-las através do pincel ou da câmara é querer transpô-las e penetrar na intimidade de uma casa. 

Também é bem verdade, que no passado quem encomendou a feitura de janelas, com caixilharias complicadas, emolduradas em cantaria de pedra lavrada, varandas de ferro forjado ou portas almofadadas, pretendia transmitir uma imagem de si e da sua família a quem passava na rua. Queria-se demonstrar riqueza e luxo, ou então elegância e sobriedade e até mesmo pudor. Há pois uma mensagem em cada portão, varanda ou janela.
Uma varanda de ferro forjado

Também sou sensível à beleza das janelas e às vezes suficientemente afoito para empurrar um portão mal fechado e penetrar em casas decrépitas e tentando captar um pouco de um certo ambiente, que ainda sobrevive das famílias que ali viveram durante gerações.
Uma escada antiga

Desta vez andei por Bragança, cidade que não me é indiferente, pois foi aí que o meu pai passou parte da sua meninice e juventude e fotografei aqui e ali alguns portões, janelas, escadarias e varandas, que transmitem uma imagem de solidez e intemporalidade, próprias de que quem faz obras a pensar não só em si, mas nas gerações futuras.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Uma janela rocaille com varal da roupa em Alter do Chão


Fotografei esta janela em Alter do Chão, que está decorada uma decoração rocaille, muito elegante, pintada em ocre, uma cor muito comum nas casas antigas do distrito de Portalegre. Quem a mandou construir era certamente gente de posses, um fidalgo de província, um grande proprietário ou um comerciante abastado. Mas, hoje ostenta um varal improvisado para secar roupa e alguém fechou a janela à pressa, deixando descuidadamente as cortinas de fora. Quem vive ali já não viverá com o desafogo de outrora. As pessoas ricas ou mesmo que já não o sejam, mas mantenham o gosto e educação não improvisam estendais onde cabem três ou quatro peúgas e um pano da loiça. Parece mais o hábito de uma velhinha ou de um velhinho sem grandes posses, a quem já lhe custa descer as escadas para estender a roupa no pátio.
Pormenor de outra janela na mesma casa
Talvez este contraste entre a elegância do passado e uma certa mediocridade e pobreza do presente seja o que me atrai na fotografia desta janela. Parece sintetizar a própria história de Alter do Chão e de tantas outras terras do Alentejo central, muito ricas no passado, pejadas de solares, igrejas e conventos ricos e hoje com um ar negligenciado e habitadas por velhos.