quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Globe de mariée



Há anos que ambicionava comprar  um Globe de mariée, mas a minha anterior casa era muito pequena, estava cheia que nem ovo e colocar uma destas peças tão frágeis, num local de passagem ou na beirinha de uma mesa era um perigo e certamente ira acabar por ter um desgosto, ao vê-lo tombar no chão

Agora que tenho uma casa maior e mais móveis, finalmente comprei um na feira de Estremoz, a um vendedor que costuma trazer velharias de França. 

O Globe de mariée ou em português globo de noiva foi um objecto que esteve na moda em França entre 1850 e 1930 e normalmente era constituído por um plinto em madeira, um coxim em veludo e diversos acessórios em latão, protegidos por uma campânula de vidro. O centro da composição era sempre a grinalda usada pela noiva no dia do casamento.

O globe a mariée pretendia prender para sempre numa campânula de vidro a felicidade do um dia de casamento e normalmente era exposto na sala principal da casa ou no quarto do casal, num sítio de destaque como um dos símbolos da família. Eram quase sempre personalizados e poderiam conter mais objectos, como os sapatos da noiva ou outros acrescentados em data posterior ao casamento como os retratos dos filhos, pagelas alusiva à primeira comunhão das crianças ou uma madeixa de cabelo de um familiar, que partiu demasiado cedo.

Muitas vezes estes globos guardavam pequenos objectos da história familiar. Foto retirada de https://eyefordesignlfd.blogspot.com/2019/11/decorating-with-french-globes-de-mariee.html


No início, estes globos eram encomendados num ourives ou relojoeiro, mas com o tempo passaram a ser fabricados pelos grandes armazéns em modelos mais uniformizados, mas ainda assim com uma enorme variedade de tipos, até porque as famílias personalizavam-nos com pequenos símbolos da sua própria história, como acima referi.

O meu globo de casamento não contém esses objectos tão pessoais ou se os teve, a família retirou-os quando se desfez dele. A única coisa que sobrou foi a grinalda da noiva, feita em cera e pano, imitando os botões e flores da laranjeira. Aliás, a moda destes globos coincidiu com o surto do fabrico em grande escala das flores artificiais na segunda metade do século XIX. 



Além da grinalda, este meu globo apresenta alguns dos elementos característicos destes objectos, com a pombinha no topo, que trazia a paz ao lar, as margaridas, que simbolizavam a pureza, as folha de hera, representando a fidelidade e o vínculo eterno, não faltando um pequeno espelho em formato de losango, símbolo da união dos dois sexos e da felicidade no amor. Apresenta também o coxim capitonné, mas disposto de forma vertical e em azul. Eram mais comuns em vermelho e colocados na horizontal. Enfim, todo um conjunto de símbolos destinados a tornar o casamento feliz.

Depois da primeira Guerra Mundial, o romantismo foi passando de moda, o gosto mudou e depois dos anos 30 já ninguém encomendava estas peças. Mas os exemplares já existentes, foram sobrevivendo pelo século XX fora como relíquias familiares em casa dos avôs, das tias velhas, até que alguém um dia ao desfazer a casa dos pais após a morte destes, vendeu o recheio por inteiro e lá foram eles parar aos mercados de velharias, mas já desprovidos das histórias familiar, contidas dentro das suas redomas. Contudo, os coleccionadores em França, nos Estados Unidos e Inglaterra, redescobriram-nos nos mercados de velharias e estes globos voltaram a encontrar o seu lugar de destaque nas salas  dos amantes do estilo vitoriano ou Napoleão III.




Algumas ligações consultadas:





Sem comentários:

Enviar um comentário