Comprei numa das últimas vezes que fui à feira de Estremoz esta figurinha em biscuit, que mesmo sem ter visto a marca, identifiquei imediatamente como sendo do célebre fabricante alemão Gebruder Heubach. As figurinhas desta fábrica distinguem-se facilmente da extensa produção alemã de biscuits, entre finais do século XIX e inícios do XX, pela expressão que os seus mestres souberam moldar e pintar nas estatuetas de crianças e bebés, que nos olham com um ar atrevido, ou envergonhado, depois de cometerem algum disparate, ora então com um sorriso capaz de derreter os corações mais empedernidos. Este é o traço marcante e inequívoco das figurinhas da Heubach. Com efeito, quando finalmente virei a peça, encontrei a marca Heubach com o sol nascente, usada entre 1882 e 1915, confirmando assim a minha intuição inicial.
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| A marca Heubach com o sol nascente, usada entre 1882 e 1915. Apresenta também o número de série do modelo 3467 |
Representa uma menina holandesa no traje típico daquele país e faz parte de uma série figurinhas de crianças holandesas, meninas e meninos, em diferentes posições e tamanhos, que em termos decorativos deveriam funcionar aos pares. Eu tenho uma destas meninas, mas mais pequena e sentada com dois potes.
Os vendedores on-line de antiguidades atribuem estas figuras a um período que vai entre 1900 a 1910.
Quando a comprei reparei na existência um cabelo no regaço e vestígios de cola. Mas isso é normal e nada de grave Estas peças são muito frágeis e num momento qualquer da sua história caiem no chão, partem-se e alguém as volta a colar. Contudo quando comecei a pesquisar na net, tentando encontrar uma igual, percebi que originalmente a menina tinha três ovos abertos no regaço e fiquei um pouco triste de ter comprado uma peça danificada e incompleta. Mas também o preço foi tão em conta e ela é tão bonita.
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| A minha figurinha teria originalmente três ovos |
Quanto à funcionalidade, alguns sítios de venda on-line, referem que estes bonequinhos com pequenos recipientes, serviriam para colocar bombons. A ser verdade, em cada um deles caberia um bombom, no máximo dois e portanto o costume seria mais uma graça que uma utilidade. Pessoalmente, creio que antes de tudo eram bibelots, colocados em cima de pianos, mesinhas e vitrinas, em casas onde a decoração era sobrecarregada com cortinas pesadas enfeitadas de berloques e franguinhas, quadros e fotografias, jarras e jarrões, com sofás capitonnés, guéridons e outros objectos como nomes franceses que já hoje poucos conhecem o significado.
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| A expressão destas figurinhas da Heubach é sempre encantadora |




