Nunca foi um entendido em porcelana da China. Gosto de a ver nos museus, encanto-me com a delicadeza da pintura e olho com cobiça para as porcelanas de exportação, aquelas peças que os chineses produziram para o mercado europeu e até otomano, com motivos decorativos ao gosto ocidental ou islâmico. Na Europa e nas Américas, essa porcelana chinesa feita de encomenda para o Ocidente durante o século XVIII e ainda XIX é designada pelos antiquários e coleccionadores por Companhia das Índias. Mas, como não sou um entendido e os preços que se praticam nos mercados de velharias costumavam ser proibitivos, nunca comprei nenhuma peça da chamada Companhia das Índias.
| O prato não está marcado |
Em 2011 tinha visto no Museu Nacional de Arte Antiga, na exposição Coleccionar em Portugal: doação Castro Pina umas peças de um serviço Companhia das Índias, decoradas no bordo com uns cachos de uvas e parras, pelas quais me tinha apaixonado loucamente. Mas pensei logo para os meus botões escusas de suspirar pois estas peças não são para o teu bico. E de facto assim parecia, pois passado uns dois anos vi uma molheira decorada com essas parras e cachos de uvas na feira de Estremoz, e estava à venda por quase duzentos euros, apesar de esbeiçada.
| Imagens retiradas do catálogo Coleccionar em Portugal: doação Castro Pina. Lisboa: MNAA, 2011 |
Mas a paciência é a melhor amiga do coleccionador de antiguidades, velharias e trastes e recentemente consegui comprar um prato com essa decoração de cachos de uvas e parras, por um preço muito aceitável na Feira de Estremoz. Segundo o catálogo da exposição Coleccionar em Portugal: doação Castro Pina, as várias peças apresentadas desse serviço são da Dinastia Quing, período Jianqing (1796-1820) ou da mesma dinastia, mas do Período Daoguang (1821-1850). As peças da antiga colecção Castro Pina diferem do meu prato no motivo central. Enquanto que as primeiras ostentam um brasão, o meu prato apresenta uma paisagem com casario. Mas, no Oportunity leilões, no Lote 4413, encontrei um conjunto de 4 chávenas, exactamente iguais ao meu prato, com o mesmo motivo central e atribuídas ao período Jianqing (1796-1820).
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| Oportunity leilões, no Lote 4413 |
Se o meu prato é do período Jianqing ou Daoguang, não tenho conhecimentos de louça oriental, para fazer atribuições, mas posso afirmar com segurança que é Companhia das Índias, Dinastia Quing, fabricado durante a segunda metade do séc. XIX na longínqua China, com motivos tipicamente ocidentais, as parras e as uvas, já que os chineses não bebiam vinho.
Alguma bibliografia:
-Coleccionar em Portugal: doação Castro Pina. Lisboa: MNAA, 2011















