sábado, 20 de junho de 2026

Uma chávena café de vidro com dourados

Nenhuma das peças está marcada

Comprei esta chávena de café com pires, numa das últimas vezes que fui a Estremoz. Está aqui e acolá com pequenas esbeiçadelas, mas nada de grave e o preço foi muito bom. Fazia parte de um lote de chávenas de café, que a vendedora tinha comprado. Talvez tudo aquilo fosse uma antiga colecção de chávenas, que no passado as famílias gostavam muito de ir juntando e expunham numa vitrina.

Não sei muito de vidros e é um material que raramente apresenta marcas de fabricante, mas desde logo não me pareceu portuguesa. Os vidros que aparecem nas feiras são quase todos portugueses e nunca vi nada do mesmo género.

Fiz o meu método habitual de carregar a imagem no google e pôr o sistema a pesquisar imagens iguais, mas agora há inteligência artificial que opina, sem nós pedirmos nada e como somos bem educados, temos que responder à Senhora e de repente estamos num animado diálogo.



A Sra. Dona inteligência artificial disse-me de caras que este pequeno conjunto era do fabricante belga, Val St. Lambert e que o motivo era o Pampre D'Or, uma decoração feita com parras e uvas. Lá expliquei à Senhora, com uma foto mais ampliada, que a decoração não foi feita com parras e uvas, mas talvez com frutos, como cerejas ou quem sabe pequenas maçãs e que já tinha encontrado alguns vidros da célebre marca checa Moser, com algumas semelhanças com a minha chávena.



Peça Moser, marcada, datada de cerva de 1900 e à venda na Etsy


Acabei por ignorar referida Sra. D. IA e prossegui a minha pesquisa por imagens, baseando a minha intuição de que esta chávena foi fabricada na Checoslováquia, talvez no período entre as duas guerras. O formato da chávena e da pega parece-me uma coisa já muito século XX. Mas houve muitas fábricas checas nesse período e muito criativas. A Checoslováquia era uma das nações mais industrializadas da Europa. 

Taça à venda na 1stDibs.com e atribuída a Josephinenhutte

Mas pelo caminho, fui encontrando imagens de peças com algumas semelhanças, com a minha chávena de um fabricante alemão, a Josephinenhutte, da Silésia, de uma região contígua aos sudetas checos. Antiga província da Alemanha e hoje parte da Polónia, a Silésia foi também um grande centro vidraceiro da Europa. Nesses sites de vendas on-line os comerciantes são até honestos e atribuem estas peças sem marcas à Moser ou à Josephinenhutte. Em suma, parece haver fortes probabilidades de esta chávena ter sido sido produzida na Checoslováquia pela Moser ou na vizinha Silésia pela Josephinenhutte ou por outro qualquer fabricante da área copiando o estilo daquelas casas. 

Chávena e pires à venda no ebay, atribuídas a Moser ou Josephinenhutte 

Mas é difícil ter certezas já que na época em que esta chávena e pires foram fabricados foram produzidos, no início do XX ou entre as duas Guerras, todos os fabricantes europeus vendiam à sua clientela burguesa abastada copos, taças e garrafas com muito dourados. Em todo o caso, este conjunto é de um gosto refinado e de uma grande qualidade.



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